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Quase 400 novos geoglifos são descobertos na Amazônia por cientistas do Acre

Cientistas encontraram 396 novos geoglifos na Amazônia usando tecnologia de mapeamento 3D. As descobertas ampliam o entendimento sobre a ocupação humana na região.

Carlos Eduardo Lima2 min de leiturageoglifos, Amazônia, arqueologia
Quase 400 novos geoglifos são descobertos na Amazônia por cientistas do Acre
Foto: Levantamento abrangeu uma área que inclui o Acre, o sul do Amazonas e regiões da Bolívia e do Peru — Foto: Arquivo/Altino Machado

Cientistas realizaram uma pesquisa que resultou na identificação de 396 novos geoglifos nas florestas do sul da Amazônia. A investigação, que teve início em Rio Branco, capital do Acre, utilizou tecnologia de mapeamento 3D a laser, conhecida como lidar, capaz de revelar relevo oculto sob a vegetação. Essas grandes construções, feitas com valas e estruturas de terra, geralmente são organizadas em formas geométricas e antes da pesquisa, apenas 36 delas eram conhecidas na região.

O levantamento abrangeu uma vasta área de aproximadamente 4,8 mil quilômetros quadrados, que inclui o Acre, o sul do Amazonas e partes da Bolívia e do Peru. O estudo, publicado na revista Nature em 29 de novembro, contou com a colaboração de pesquisadores brasileiros e finlandeses. De acordo com o botânico Evandro Ferreira, da Universidade Federal do Acre (Ufac), que coordenou a equipe brasileira, a nova pesquisa elevou o total de geoglifos mapeados na região para 432.

Os cientistas utilizaram aviões equipados com tecnologia lidar, que permite o mapeamento em três dimensões e registra informações tanto da vegetação quanto do solo. Em suas expedições, o equipamento foi capaz de eliminar virtualmente a cobertura vegetal, permitindo a visualização da topografia e a identificação de estruturas anteriormente ocultas. Evandro Ferreira detalhou que os sobrevoos iniciaram em Manoel Urbano, no Acre, em direção a Catuiri, no Amazonas, e Lábrea, além de linhas de voo partindo de Rio Branco.

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A pesquisa se baseia em um estudo anterior de 2023, que indicou a possibilidade de milhares de geoglifos ainda escondidos sob a floresta. Os pesquisadores estimam que a área estudada, que abrange cerca de 185 mil quilômetros quadrados, poderia abrigar até 30 mil geoglifos. Essa nova estimativa supera uma anterior, que previa cerca de 10 mil geoglifos desconhecidos em toda a Amazônia, destacando a importância das novas descobertas para a compreensão da ocupação humana na região.

Os geoglifos são associados à civilização Aquiry, que habitou parte do sul da Amazônia antes da chegada dos europeus. Estima-se que a construção dos geoglifos começou entre 600 e 400 anos antes de Cristo, com as estruturas mais recentes datadas em cerca de 900 d.C. A pesquisa também levanta questões sobre a preservação desses sítios arqueológicos em face da expansão da agricultura mecanizada na região, uma vez que danos a esses locais podem resultar em responsabilização legal.

Fonte: Portal Amazônia

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