Queijo: curiosidades sobre o alimento que atravessa gerações
O queijo, um dos alimentos mais antigos da humanidade, tem uma rica história que se estende por milênios, desde suas origens até sua relevância na gastronomia moderna.

Manaus - Antes de se tornar um item essencial em tábuas de degustação e receitas de alta gastronomia, o queijo tinha uma função primordial: garantir a sobrevivência humana. Estima-se que há cerca de 5 mil anos, povos de diferentes regiões do mundo, que nunca se cruzaram, descobriram maneiras semelhantes de transformar leite em um alimento mais durável. O acúmulo de enzimas presentes nos estômagos de animais que transportavam leite foi o que deu origem a esse alimento tão apreciado até hoje.
O queijo possui uma trajetória fascinante, acompanhando migrações e sustentando viajantes por diversas civilizações, desde a Mesopotâmia até o Egito, e até mesmo chegando ao Brasil com histórias pouco conhecidas. O engenheiro de alimentos e pesquisador Kennidy de Bortoli, que lidera o Laboratório de Queijos Finos do Biopark e foi eleito o melhor queijeiro do Brasil, reuniu curiosidades sobre a evolução do queijo e sua importância na alimentação ao longo dos séculos.
Curiosidades sobre o queijo
Primeiramente, é interessante notar que o queijo é mais antigo que a própria escrita. Arqueólogos acreditam que sua produção começou há cerca de 8 mil anos, antes do surgimento dos primeiros registros escritos. Pesquisadores descobriram potes de cerâmica na Polônia datados de 5.500 a.C. que continham resíduos de gordura de leite, representando a evidência mais antiga da produção de laticínios na Europa.
Além disso, o queijo foi um símbolo de resistência e exploração em tempos antigos. Sem a geladeira ou conservantes modernos, ele se tornou um superalimento que permitiu que civilizações inteiras sobrevivessem a invernos rigorosos, sustentando exércitos e nômades em suas longas jornadas.
Chegada do queijo ao Brasil
Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, encontraram um território desprovido de vacas. As primeiras chegaram ao país apenas em 1534, trazidas de Cabo Verde, na África, inicialmente utilizadas como força de trabalho nos engenhos de cana-de-açúcar. A produção de laticínios no Brasil começou de forma tímida e elitizada, com os primeiros queijos sendo consumidos apenas por senhores de engenho e pela corte colonial.
Outra curiosidade é a origem do mito de que consumir manga com leite faz mal. Esse mito foi criado como uma estratégia de controle social durante o período colonial, para restringir o consumo de leite entre os escravizados, que eram ameaçados com consequências graves. Apesar da opressão, comunidades de quilombos conseguiram resgatar técnicas de produção de queijo, garantindo sua subsistência e resgatando a essência original do alimento.
Reconhecimento mundial do queijo brasileiro
O queijo brasileiro vem ganhando destaque em concursos internacionais, e em 2024, um queijo criado no laboratório de queijos finos do Biopark, chamado Passionata, subiu ao pódio dos 10 melhores do mundo. Este queijo se destaca por sua composição que inclui uma infusão de maracujá, uma fruta nativa das Américas tropicais, mostrando que o Brasil pode se destacar tanto pela técnica quanto pela ousadia na escolha de ingredientes locais.
Por fim, é importante mencionar que a produção de queijos também é regulada por leis que garantem a autenticidade do produto. No caso do queijo Roquefort, por exemplo, ele só pode ser chamado assim se for maturado nas cavernas de Roquefort-sur-Soulzon, assegurando a preservação de tradições e técnicas de produção ao longo dos séculos. Essa proteção é essencial para manter a qualidade e a singularidade dos queijos ao redor do mundo.
Fonte: D24AM