Rato-d’água-europeu retorna à Cornualha após 20 anos de extinção local
O rato-d’água-europeu foi reintroduzido na Cornualha após 20 anos sem registros. Quase 200 animais foram soltos no ambiente natural com sucesso.

O rato-d’água-europeu (Arvicola amphibius) foi avistado novamente nos rios da Cornualha, na Inglaterra, após duas décadas sem registros da espécie na região. O retorno desse roedor semiaquático é resultado de um projeto de reintrodução que já liberou quase 200 animais na natureza, contribuindo para a reconstrução de uma população que havia sido considerada extinta localmente desde os anos 1990.
O desaparecimento do rato-d’água-europeu foi atribuído a diversos fatores ambientais, como a destruição da vegetação nas margens dos rios, a drenagem de áreas alagadas e o avanço da agricultura intensiva. Esses fatores diminuíram significativamente os habitats adequados para a sobrevivência dessa espécie. Além disso, a introdução do vison-americano, um predador invasor, agravou ainda mais a situação dos ratos-d’água.
A iniciativa de reintrodução é liderada pela organização Kernow Conservation, que começou a soltar os animais em 2022 e continuou o trabalho em 2023. Até agora, foram reintroduzidos 198 ratos-d’água, sendo 114 no primeiro ano para estabelecer a nova população e outros 84 posteriormente, visando aumentar a diversidade genética do grupo.
Antes das solturas, a equipe de pesquisadores se dedicou a preparar o habitat dos ratos-d’água. Eles restauraram a vegetação próxima aos rios, removeram árvores que causavam sombra excessiva e recuperaram áreas úmidas e margens dos rios, criando um ambiente propício para os animais. Além disso, foram feitas ações para reduzir o uso de pesticidas e herbicidas e monitorar a presença de predadores.
Os resultados iniciais do projeto são encorajadores, com rastros, fezes, tocas e avistamentos confirmando que os ratos-d’água estão se estabelecendo nas áreas onde foram soltos e até se expandindo para novos locais. No rio Kennall, um dos focos de reintrodução, os pesquisadores já detectaram sinais da presença dos roedores em uma extensão de cerca de 8 quilômetros, abrangendo desde as nascentes até áreas influenciadas pelas marés. No entanto, o trabalho ainda não terminou, já que os ratos-d’água permanecem presentes em apenas algumas regiões de mais de 130 vales fluviais na Cornualha. A meta é expandir as reintroduções e controlar ameaças como os predadores invasores.
Fonte: D24AM