Reflexões sobre a Ponte Invisível e suas Conexões Sociais
A análise das antigas sociedades matrifocais e suas relações com a contemporaneidade revela um contraste entre alfabetização e letramento, evidenciando a alienação cultural e política.

PARINTINS (AM) – Entre os anos 10.000 e 8.000 (AEC)*, as sociedades matrifocais promoviam uma vivência acolhedora e pluriversal, onde o conceito do Ventre da Mãe Terra era visto como um abrigo sagrado. Essas comunidades não conheciam a divisão de classes sociais, e as decisões eram tomadas em assembleias tribais, marcando o início de um desenvolvimento cultural que priorizava modos de vida dignos e sustentáveis.
Com o passar do tempo, observa-se uma evolução no intelecto humano. Segundo as contribuições de Sramana*, “A humanidade moderna evoluiu intelectualmente, aprendeu a produzir, competir, acelerar, mas desaprendeu a sentir e a ouvir os chamados da própria alma”. Essa transformação trouxe à tona uma série de conflitos sociais, ambientais e econômicos, resultando em um estado de barbárie multifacetada que afeta a busca por sobrevivências justas e dignas.
O estudo das relações entre passado e presente revela bloqueios sistemáticos que dificultam a comunicação clara entre diferentes grupos sociais e culturais. A imposição de códigos linguísticos nas redes sociais e na academia limita as práticas tradicionais e a convivência ancestral, resultando em uma morte cultural e existencial. Esse cenário modifica a noção de alfabetização, que no passado se referia ao domínio da leitura e escrita, para um conceito mais amplo de letramento.
Na década de 1990, Parintins teve a honra de contar com o juiz Dr. Jorge Alberto Mendes, que desafiou conceitos de classe e reafirmou o verdadeiro significado de alfabetização. Ele afirmou: “No sistema em que vivemos há três tipos de sujeitos: os analfabetos, os alfabetizados e os ligeiramente alfabetizados. Eu, oficialmente, tenho título de Doutor. Sou ligeiramente alfabetizado”. Sua fala ilustra a complexidade das relações entre conhecimento formal e compreensão crítica da realidade.
Além disso, o Companheiro Eduardo Áureo dos Santos, também conhecido como Engole Cobra*, exemplificou a resistência dos que, mesmo sem formação acadêmica, possuem uma leitura crítica da sociedade. A transição para um 'estado de direito' trouxe uma divisão entre classes sociais, onde os proletários se opuseram às elites dominantes. A construção de uma ‘ponte invisível’ revela como grupos vulneráveis são manipulados, e a necessidade de uma reflexão crítica sobre as ideologias políticas vigentes se faz cada vez mais urgente.
Fonte: Amazonas Atual