Região Norte enfrenta grave insegurança alimentar, aponta IBGE
A Região Norte do Brasil apresenta o mais baixo índice de segurança alimentar, com apenas 37,7% dos lares com acesso pleno à comida. Amapá é o estado mais afetado pela fome.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a Região Norte do Brasil possui o menor índice de segurança alimentar do país. Apenas 37,7% dos lares na região têm acesso regular e pleno aos alimentos, o que demonstra a gravidade da situação. Este cenário se destaca especialmente quando comparado ao recuo da fome observada em outras partes do Brasil.
O estado do Amapá se sobressai negativamente, liderando a insegurança alimentar severa no Norte, com 9,3% dos domicílios enfrentando essa condição alarmante. Essa estatística representa cerca de 81 mil pessoas que lidam com a falta de alimentos diariamente, refletindo um quadro preocupante para a população local.
A diarista Kátia Santos, moradora de Macapá, exemplifica a dura realidade vivida por muitas famílias. Com apenas água no congelador e escassez de alimentos, ela relata: “Hoje nós temos um pedaço de frango que sobrou de ontem. Aí é o que vai ser feito o almoço. Eu sempre falo, eu não almoçando, mas meus filhos comendo, para mim está ótimo”. Essa afirmação evidencia o sacrifício enfrentado por mães que tentam garantir a alimentação de seus filhos.
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostram que, apesar do Brasil ter avançado no combate à fome, 18,9 milhões de famílias ainda vivem algum nível de insegurança alimentar. No entanto, na Região Norte, a situação se agrava, com uma crescente proporção de lares sem a garantia de refeições adequadas, o que inquieta especialistas.
Para Joel Lima, técnico do IBGE, o empobrecimento da alimentação na Amazônia está ligado a fatores climáticos e econômicos. Ele afirma que “os estados que têm maior percentual de moradores em insegurança alimentar moderada ou grave são da região Norte”. A economista Lúcia Tereza Ribeiro do Rosário complementa que, embora o Amapá tenha recursos naturais abundantes, a baixa capacidade de produção local encarece os alimentos, prejudicando ainda mais as famílias em situação de vulnerabilidade.
Fonte: Portal Amazônia