Reposição de Testosterona em Mulheres: Mitos e Efeitos Adversos
A reposição de testosterona em mulheres não é uma necessidade universal. Especialistas alertam sobre os riscos e a falta de indicações científicas para seu uso indiscriminado.

Brasília - As redes sociais têm propagado informações sobre a reposição de testosterona em mulheres, prometendo benefícios como pele mais firme, aumento de massa muscular, emagrecimento e maior libido. No entanto, especialistas alertam que a ideia de que todas as mulheres devem repor esse hormônio para melhorar a saúde é falsa.
A reposição hormonal deve ser realizada apenas quando houver uma indicação clínica específica, após uma avaliação cuidadosa do paciente e sob supervisão médica. É essencial que essa indicação leve em consideração os sintomas, exames realizados, histórico de saúde e as evidências científicas disponíveis.
As sociedades médicas afirmam que a única indicação científica aceita para o uso de testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) na fase pós-menopausa. Mesmo assim, essa abordagem deve ser considerada apenas após outras opções de tratamento terem sido esgotadas e a confirmação de que os sintomas persistem.
Uma nota divulgada em maio de 2025 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), junto com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e o Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), enfatiza os perigos do uso indiscriminado da testosterona. O documento adverte que a realização de exames para dosar hormônios como rotina ou com a justificativa de “déficit androgênico” não tem respaldo científico e pode resultar em prescrições inadequadas.
O uso de testosterona sem uma necessidade clínica comprovada pode acarretar sérios efeitos colaterais, como acne, alopecia, problemas hepáticos, dislipidemia, dependência psíquica e complicações cardíacas. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que os eventos adversos relacionados a medicamentos anabolizantes, incluindo testosterona e somatropina, aumentaram nos últimos anos, com um pico em 2024. É importante que a população esteja ciente dos riscos e busque informações confiáveis sobre o tema.
Fonte: D24AM