Reserva Biológica do Bailique é identificada como berçário de peixes
Um estudo da Ueap apontou que a Reserva Biológica do Parazinho é um berçário para diversas espécies de peixes, com monitoramento de 7 mil larvas ao longo de dois anos.

A Reserva Biológica do Parazinho, localizada na Foz do Rio Amazonas, na região do Bailique, em Macapá, foi objeto de um estudo realizado pela Universidade do Estado do Amapá (Ueap). A pesquisa identificou a presença de cerca de 7 mil larvas de peixes, abrangendo espécies de água doce, marinhas e estuarinas ao longo de dois anos de monitoramento.
O projeto focou no acompanhamento dos ovos e larvas de peixes, que são transportados pelas correntes de água, um fenômeno conhecido na biologia como ictioplâncton. Os pesquisadores observaram mudanças na composição das espécies de peixes em diferentes épocas do ano, especialmente em relação ao ciclo de chuvas e estiagens.
Ruineris Cajado, coordenador da pesquisa, destacou como as variações sazonais impactam as espécies encontradas na reserva. “Durante os períodos chuvosos, quando o Rio Amazonas apresenta um fluxo maior, notamos uma predominância de espécies de água doce, como pacu, aracu e jaraqui. Já nas estiagens, quando o fluxo do rio diminui e o oceano avança, a composição muda para espécies mais adaptáveis às variações de salinidade, como as pescadas e piraíbas”, explicou.
A equipe de pesquisa também se debruçou sobre os estágios iniciais de vida dos peixes, o que confirmou a reprodução na área. Aproximadamente 50% das espécies documentadas são de relevância para a pesca comercial e de subsistência no Bailique e no Amapá, o que ressalta a importância do estudo para a sustentabilidade da pesca na região.
A estudante e pesquisadora Larissa Cunha ressaltou a relevância de tais dados para a formulação de políticas públicas que visem a preservação das espécies. “Conhecer os períodos de desova é fundamental para a elaboração de ações como o período de defeso, que protege os peixes durante a reprodução e afeta diretamente a vida dos pescadores artesanais”, afirmou. O estudo também avaliou o impacto das condições ambientais nos estoques pesqueiros, vital para a economia local.
Fonte: Portal Amazônia