Restos mortais de Grenaldo Silva são sepultados após 54 anos de luta
Os restos mortais de Grenaldo de Jesus da Silva, vítima da ditadura, foram finalmente sepultados em São Paulo, trazendo alívio à sua família e simbolizando a luta por justiça.

Na manhã desta sexta-feira (26), os restos mortais de Grenaldo de Jesus da Silva, que foi assassinado pela ditadura militar em 1972, receberam um sepultamento digno no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo. O filho de Grenaldo, Grenaldo Mesut, homenageou seu pai com uma mensagem emotiva, que foi colocada em uma coroa de flores repleta de rosas e gérberas.
A cerimônia contou com a presença de familiares e amigos, que entoaram a canção "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores", de Geraldo Vandré, enquanto seguiam em cortejo até a sepultura. Esse momento marca um importante passo na busca por justiça e reconhecimento das vítimas da repressão, 54 anos após a morte de Grenaldo, que foi enterrado como indigente em uma vala clandestina.
Uma placa foi colocada na sepultura, com uma foto de Grenaldo e uma mensagem de seu filho: “Podia ser diferente, não é, meu pai?”. Este sepultamento é resultado do trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e outras entidades que lutam pela memória e justiça das vítimas da ditadura.
Emocionado, Grenaldo Mesut expressou sua felicidade e a esperança de que outros familiares que ainda buscam seus entes queridos possam ter a mesma oportunidade de dar um sepultamento digno. Ele falou sobre a dor da ausência de seu pai e como essa cerimônia representa um fechamento simbólico para a família.
A ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, também compareceu ao sepultamento e destacou a importância do momento, que coincidiu com o Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura. Ela afirmou que o governo continuará investindo na identificação de vítimas da ditadura, reforçando o compromisso com a memória e a justiça.
Fonte: D24AM