Sebrae apoia comunidades indígenas na estruturação de negócios no Amazonas
O Sebrae promoveu um encontro com artesãos da etnia Matis para fortalecer a produção artesanal e superar desafios de acesso a mercado.

Em Benjamin Constant (AM), no Alto Solimões, o Sebrae está intensificando sua atuação nas comunidades indígenas, buscando entender como se organizam os negócios na floresta. A iniciativa visa identificar os desafios enfrentados pelos empreendedores locais para que possam expandir suas oportunidades de comercialização.
Recentemente, a agenda do Sebrae incluiu um encontro estratégico com a Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis (AAPE MATIS), que representa o povo Matis, originário de Atalaia do Norte, localizado no Vale do Javari. A associação, formalizada e com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conta com aproximadamente 120 artesãos, tanto homens quanto mulheres, que se dedicam à produção artesanal.
A participação da associação na 3ª Feira de Arte Indígena de Benjamin Constant, ocorrida em 2025, foi um marco significativo. Graças ao apoio do Edital da Política Nacional Aldir Blanc no Amazonas, os artesãos conquistaram a Carteira Nacional do Artesão e conseguiram adquirir um barco com motor, facilitando o transporte de suas produções, que ainda enfrentam longas distâncias no Vale do Javari.
Apesar dos avanços, a valorização da produção artesanal dos Matis ainda não reflete o potencial que esse trabalho carrega. As criações incluem cerâmicas, cuias, máscaras, zarabatanas e arcos e flechas, cada uma refletindo um conhecimento ancestral que abrange técnicas de manejo de matéria-prima e elementos culturais, como as pinturas com urucum e jenipapo.
O presidente da associação, Tumi Wassa Matis, destaca a importância das feiras e exposições para a visibilidade do trabalho dos artesãos. “Foi uma oportunidade que a gente não imaginava. A primeira experiência foi muito importante e rentável. Isso incentiva a comunidade a produzir mais e abre novos caminhos”, afirmou. O Sebrae, em parceria com a Prefeitura Municipal de Benjamin Constant e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), busca consolidar essas iniciativas, promovendo o empreendedorismo indígena como um vetor de desenvolvimento econômico e social na Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia