Seca no Tapajós pode impactar transporte de grãos em barcaças
A redução da profundidade do Rio Tapajós entre Miritituba e Santarém pode limitar a carga das barcaças. AMPORT alerta sobre alterações nas próximas semanas.

MANAUS – A recente vazante do Rio Tapajós resultou em uma diminuição da profundidade em trechos da rota que liga Miritituba a Santarém, uma das principais vias utilizadas por comboios de barcaças para o transporte de grãos. De acordo com informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB), as embarcações são projetadas para operar em profundidades de 4,5 metros quando estão totalmente carregadas, e atualmente esse nível está abaixo do ideal em várias partes do trajeto.
Com a profundidade reduzida, as empresas podem ser forçadas a diminuir a quantidade de grãos transportada, o que pode afetar a economia local. A AMPORT, que representa a Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica, informou que, até o momento, não houve redução na carga ou mudanças nas operações das embarcações, mas a entidade prevê alterações nas próximas semanas.
Atualmente, a régua do SGB em Itaituba indica 3,44 metros, enquanto em Santarém o nível é de 3,84 metros. Vale ressaltar que a profundidade em Itaituba está 2,61 metros acima da menor cota já registrada durante a seca de 2024, quando o rio alcançou apenas 0,83 metro. O pesquisador David Franco Lopes, do SGB, destaca que o cenário atual ainda é consideravelmente melhor do que a seca extrema anterior, mas é importante monitorar a situação.
As condições de navegação variam ao longo do Rio Tapajós, e alguns pontos críticos têm profundidades ainda mais baixas, como nas áreas entre Fordlândia, Barreiras e Pimental, onde há trechos com cerca de 2 metros de profundidade. Os chamados “passos críticos” são locais com bancos de areia ou formações rochosas submersas, que dificultam a navegação. Lopes menciona especificamente locais como Costa de Santarenzinho e Ilha do Boiador como áreas que exigem atenção especial.
Apesar da redução dos níveis, o transporte pelo Tapajós continua a operar normalmente. Segundo dados da Antaq, no primeiro bimestre de 2026, foram transportadas 2.217.398 toneladas de cargas pelo rio, sendo a soja o principal produto movimentado. Com a profundidade da régua atualmente em 3,44 metros, ainda está acima do limite que exige levantamento hidrográfico operacional, mas o acompanhamento constante da vazante é essencial, uma vez que mudanças operacionais podem ocorrer nas próximas semanas.
Fonte: Amazonas Atual