Senador alerta sobre 'tragédia humanitária' das apostas em anúncios na Copa
Senador Eduardo Girão critica a proliferação de propagandas de apostas durante a Copa do Mundo, apontando seus impactos sociais e de saúde pública.

Na última quinta-feira, 2 de novembro, uma audiência pública no Senado trouxe à tona a crescente presença de propagandas de apostas durante as transmissões dos jogos da Copa do Mundo. Organizada pelas Comissões de Assuntos Sociais e de Direitos Humanos, a reunião discutiu os efeitos sociais, econômicos e de saúde pública gerados pelas apostas de quota fixa. Participantes do debate consideraram a publicidade das bets excessiva e abusiva, pedindo a implementação de regras mais rigorosas para o setor.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), que presidiu a audiência, destacou que a regulamentação das apostas on-line resultou em uma verdadeira "explosão" das propagandas. Para ele, essa situação representa uma "tragédia humanitária" no Brasil, uma vez que o tema deixou de ser apenas uma questão de entretenimento e passou a afetar a realidade de muitas pessoas, especialmente as mais vulneráveis.
Durante a audiência, Gabriella de Andrade Boska, coordenadora do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, ressaltou que o Brasil já reconhece as apostas como um problema de saúde pública. Segundo ela, a situação é comparável a dependências de substâncias como o álcool, e a prevalência de transtornos relacionados ao jogo está crescendo, especialmente entre os jovens. Um em cada dez jovens no Brasil está se envolvendo com apostas, o que gera preocupações alarmantes.
A especialista alertou que as consequências das apostas não se limitam ao apostador, afetando também as pessoas ao seu redor. O risco de suicídio entre os apostadores é 15 vezes maior, especialmente quando há endividamento envolvido. Além disso, há uma ligação direta entre os problemas de apostas e a violência doméstica, com um aumento de 140% nos atendimentos a casos de transtorno do jogo no SUS entre 2018 e 2025.
Em resposta a essa situação, o secretário-adjunto de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Fabio Macorin, informou que os operadores de apostas agora devem monitorar os comportamentos dos apostadores. Ele ressaltou a importância de intervenções quando um padrão de comportamento anômalo é identificado. Por fim, a audiência também contou com depoimentos de ativistas e especialistas em saúde mental, que pediram ações urgentes para enfrentar essa crise social, que já é comparada a uma nova pandemia.
Fonte: Amazonas Atual