Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE
A geógrafa Larissa Mies Bombardi destaca que sete dos dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil são banidos na União Europeia, evidenciando o 'colonialismo químico'.

Em uma recente conferência realizada durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a geógrafa Larissa Mies Bombardi revelou que, entre os dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE). Apesar dessa proibição na Europa, esses produtos continuam a ser exportados para o Brasil por empresas europeias, configurando o que ela denomina de 'colonialismo químico'.
Larissa Mies Bombardi, que pesquisa sobre o uso de agrotóxicos e suas conexões com a economia global há 15 anos, alertou sobre os impactos negativos que esses produtos químicos causam tanto ao meio ambiente quanto à saúde humana e animal. Segundo ela, muitos desses agrotóxicos são banidos na UE por serem considerados cancerígenos ou por causarem malformações fetais e outros distúrbios hormonais.
A geógrafa também apresentou dados alarmantes sobre a queda da biodiversidade, citando que, entre 2009 e 2019, o número de insetos no mundo caiu em 41%, enquanto a população de borboletas sofreu uma redução de 53%. Esse declínio é atribuído ao uso desses produtos, que afetam diretamente a fauna e, consequentemente, a biodiversidade.
Larissa mencionou, por exemplo, o herbicida atrazina, que ocupa a sexta posição entre os agrotóxicos mais vendidos no Brasil e é conhecido por causar anomalias em anfíbios, como a mudança de sexo em sapos. A pesquisadora enfatiza a gravidade dessa situação, questionando o impacto que a eliminação de fêmeas em espécies pode ter no equilíbrio ecológico.
Ela apontou que o Brasil é o maior destinatário de pesticidas proibidos na UE, recebendo 3 mil toneladas em 2023, um número superior ao total combinado de países como Ucrânia, Estados Unidos e Rússia. Além disso, Larissa criticou a concentração do mercado de sementes e agrotóxicos, dominado por apenas quatro empresas, duas delas europeias. Para ela, é fundamental romper com esse ciclo colonialista e promover uma conscientização que suporte a construção de políticas públicas eficazes.
Fonte: D24AM