Tereza de Benguela: Rainha do Guaporé resgata a história da resistência negra
Júlio Olivar lança livreto que recupera a trajetória de Tereza de Benguela, líder quilombola que desafiou a Coroa Portuguesa na Amazônia.

O jornalista e escritor Júlio Olivar, membro da Academia Rondoniense de Letras, lança o livreto intitulado Tereza de Benguela: Rainha do Guaporé, que busca resgatar a história de uma importante líder negra que governou um quilombo no Vale do Guaporé. Durante duas décadas, Tereza de Benguela transformou o Quilombo Grande, conhecido como Quariterê, em uma nação autônoma que desafiava a Coroa Portuguesa.
Tereza foi capturada em 1770 e faleceu na prisão de Vila Bela da Santíssima Trindade, mas seu povo continuou a resistir por mais 25 anos após sua morte. A obra de Olivar traz à tona essa trajetória quase esquecida dos livros de história oficial, utilizando como base os Anais de Vila Bela, que são a única fonte primária preservada na Newberry Library, nos Estados Unidos.
O livreto não se resume apenas à biografia de Tereza, que inspirou o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra (Lei nº 12.987/2014). Olivar também apresenta uma análise linguística, sugerindo que a Língua Caipiresa, falada em várias regiões do Brasil, é um elo entre o tupi antigo, o português e elementos africanos, e que o nome do Quilombo Quariterê pode ter origem no nheengatu normatizado pelos jesuítas.
O autor faz uma conexão entre o passado e o presente, ressaltando que Vila Bela ainda possui 72% de sua população composta por negros e pardos, sendo descrita como uma “pequena África em Mato Grosso”. Ele destaca a existência de nove quilombos que resistem atualmente em Rondônia e os cerca de 12 mil quilombolas em Mato Grosso, sendo 2,6 mil em Vila Bela.
A obra também revela curiosidades, como a homenagem da Escola de Samba Viradouro em 1994, quando três supostas descendentes de Tereza desfilaram no carnaval. Com imagens atuais de Vila Bela e gravuras históricas, o livreto é um gesto de idealismo de Olivar, que oferece a obra gratuitamente em formato PDF, sem condições de imprimir, tornando-a uma leitura essencial para acadêmicos, professores, estudantes e todos que desejam entender a importância de Tereza de Benguela e a resistência de seu povo na história da Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia