Testes Precisos Avançam na Medicina Personalizada para Tratamentos Individualizados
Avanços nos testes médicos permitem tratamentos mais individualizados, considerando características genéticas e biológicas dos pacientes. A medicina personalizada está ganhando espaço na prática clínica.

Testes cada vez mais precisos conseguem identificar características genéticas e biológicas de pacientes e doenças, oferecendo informações que ajudam os profissionais de saúde a tomar decisões mais individualizadas. Na prática, isso significa que o tratamento pode deixar de seguir apenas um modelo geral e passar a considerar as particularidades de cada pessoa.
De acordo com a biomédica Ana Carolina Shuan Laco, esse movimento já faz parte da realidade, especialmente em algumas áreas. “Hoje entendemos que duas pessoas podem ter a mesma doença, mas apresentar características biológicas e genéticas diferentes e, por isso, responder de formas distintas ao mesmo tratamento. É justamente aí que entra a medicina personalizada”, explica.
Em vez de considerar somente o diagnóstico, a proposta é reunir informações sobre o organismo do paciente e sobre as características da própria doença. No caso do câncer, por exemplo, exames podem analisar determinadas características do tumor para ajudar a definir quais tratamentos apresentam maior possibilidade de benefício.
Segundo Ana Carolina Shuan, para entender como essa abordagem funciona, é importante diferenciar dois conceitos que estão cada vez mais presentes na medicina: exames genéticos e biomarcadores. Os exames genéticos analisam o material genético, principalmente o DNA, em busca de alterações que possam estar relacionadas a doenças, características do organismo ou à resposta a determinados medicamentos. Já os biomarcadores são características biológicas que podem ser medidas e que fornecem informações sobre o que está acontecendo no organismo. Eles podem ser proteínas, hormônios, enzimas ou alterações genéticas. “Um marcador genético pode ser um biomarcador, mas nem todo biomarcador é genético. A troponina, por exemplo, é utilizada para avaliar lesão no coração e é um biomarcador, mas não é um teste genético”, disse.
A biomédica ressalta que os exames também podem ajudar a evitar tratamentos com pouca possibilidade de resposta. Por meio da farmacogenética, por exemplo, é possível estudar como características genéticas de uma pessoa podem influenciar a maneira como ela responde a determinados medicamentos. Dependendo do caso, os resultados podem indicar maior ou menor chance de resposta ou até de ocorrência de efeitos adversos. Ela acrescenta, no entanto, que o resultado de um exame não determina sozinho a conduta médica. “O biomarcador é uma parte da decisão. O médico também considera o estado geral da paciente, o estágio da doença e outras características clínicas”, disse.
Embora a medicina personalizada seja frequentemente associada ao tratamento de doenças já diagnosticadas, a análise de características genéticas também pode contribuir para identificar predisposições e riscos em determinadas situações. Isso abre espaço para estratégias de acompanhamento e prevenção mais individualizadas. A lógica é utilizar as informações disponíveis para compreender melhor o organismo de cada pessoa e, quando houver indicação clínica, identificar fatores que possam exigir maior atenção.
“Quando falamos em medicina personalizada, estamos falando de olhar para o paciente de forma mais individual. É usar a tecnologia e as informações que o laboratório nos fornece para conhecer melhor aquela doença e ajudar na escolha do tratamento com maior possibilidade de benefício e segurança para aquela pessoa”, destaca Ana Carolina.
Apesar dos avanços, o acesso a exames mais sofisticados ainda é um desafio. Testes como painéis genéticos e sequenciamento de nova geração podem ter custos elevados e dependem de equipamentos, reagentes, controle de qualidade e profissionais especializados. “A área da biomedicina tem avançado de maneira significativa sendo um campo promissor e com diferentes oportunidades no mercado de trabalho”, frisa.
A tendência, conforme Ana Carolina, é que os exames deixem de ser vistos apenas como ferramentas para confirmar uma doença e passem a oferecer cada vez mais informações para compreender o perfil de cada paciente. O resultado é uma medicina que busca ser mais precisa, individualizada e, em situações específicas, capaz de antecipar riscos e orientar medidas de prevenção.
Fonte: D24AM