Tragédia de 1996: Viúva relembra acidente com Fokker da TAM após 30 anos
Sandra Assali compartilha sua dor e luta após a perda do marido em um acidente aéreo que completou 30 anos. Ela ressalta a importância de lembrar a data e lutar por mudanças na aviação.

Trinta anos se passaram desde que Sandra Assali despediu-se de seu marido, o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele embarcaria em um voo da TAM, atual Latam, com destino ao Rio de Janeiro para participar de um congresso, com retorno previsto para o mesmo dia.
Infelizmente, o cardiologista não chegou ao seu destino. Apenas 24 segundos após a decolagem, o voo sofreu um acidente, colidindo com três prédios e caindo sobre várias residências na Rua Luís Orsini de Castro, a aproximadamente 2 quilômetros do aeroporto. O trágico evento resultou na morte de todas as 96 pessoas a bordo e de mais três que estavam no solo.
O acidente ocorreu por volta das 8h30 do dia 31 de outubro de 1996. Naquela época, Sandra era mãe de dois filhos pequenos e recorda que o luto é um processo permanente em sua vida. “A perda de alguém sempre marca. Você lembra o momento em que recebeu a notícia. Para mim, foi devastador saber que, em menos de 40 minutos após deixá-lo no aeroporto, já tinha a confirmação da perda”, relatou Sandra à Agência Brasil.
Desde aquela tragédia, a vida de Sandra e de muitas outras famílias mudou drasticamente. “A vida dá uma guinada e você se vê na posição de pai e mãe, algo que não estava nos planos. É uma luta diária para lidar com essa nova realidade”, explicou. Apesar do sofrimento, ela acredita que falar sobre o acidente é fundamental para manter viva a memória das vítimas e para seu próprio processo de superação.
Após o acidente, Sandra e outros familiares fundaram a Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), da qual ela é presidente. A associação foi crucial para promover mudanças significativas na legislação sobre a aviação no Brasil, garantindo assistência às famílias em caso de tragédias aéreas. “Mudou-se a forma de investigar acidentes, as indenizações e a assistência a familiares, algo que não existia antes”, destacou Sandra, enfatizando a importância da luta da associação em prol das vítimas e seus entes queridos.
Fonte: D24AM