Universidades da Amazônia são essenciais para a agenda climática do Brasil
Pesquisadores apontam que fortalecer as universidades na Amazônia é fundamental para que o Brasil lidere a agenda climática global. A educação superior na região é vital para a produção de conhecimento sobre a floresta.

Pesquisadores questionam como o Brasil pretende ser um líder na agenda climática mundial sem dar o devido apoio às universidades que geram conhecimento sobre a Amazônia. Durante a COP30, realizada em Belém (PA) em 2025, destacou-se a importância da floresta na luta contra as mudanças climáticas, uma vez que ela abriga cerca de 10% da biodiversidade mundial e é crucial para a regulação do clima global.
A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), uma das mais novas instituições de ensino superior da Amazônia, foi o local escolhido para a Reunião Anual da ANDIFES Norte em junho de 2026. O evento, que reuniu reitores e reitoras das universidades federais da região, resultou na Carta de Marabá, um documento que expande os compromissos estabelecidos nas Cartas de Boa Vista (2023) e de Porto Velho (2025), propondo uma agenda nacional para a Amazônia baseada em ciência e desenvolvimento sustentável.
Historicamente, a educação superior no interior da Amazônia foi negligenciada. Na década de 1980, cerca de 25 mil professores atuavam fora da região metropolitana de Belém, mas apenas 150 tinham a formação adequada. Para mudar essa realidade, o movimento de interiorização das universidades levou à criação de instituições como a UFOPA e a UNIFESSPA, que já diplomaram mais de 20 mil profissionais, impactando positivamente a renda e a qualidade de vida de milhares de pessoas.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem, especialmente em relação ao financiamento. A Carta de Marabá pede a implementação do Custo Amazônia e o Fator Amazônia nas matrizes de financiamento universitário, já que a realidade da região exige recursos diferenciados. Com mais de 70% dos estudantes de universidades federais da Amazônia vivendo com renda per capita abaixo de um salário mínimo, a permanência desses alunos nos cursos se torna um desafio, evidenciado por uma taxa de evasão de 44% entre aqueles sem assistência estudantil.
Por fim, a Carta de Marabá enfatiza a necessidade de reconhecer e fortalecer as universidades amazônicas como centros de produção de conhecimento. Com a Amazônia sendo central para o futuro do mundo, é essencial que o Brasil priorize o investimento nessas instituições, não apenas para a inclusão social, mas também para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável. A mensagem é clara: investir nas universidades da Amazônia é essencial para a soberania nacional e para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Fonte: Portal Amazônia