Violência contra indígenas cresce em 2025: 258 assassinatos registrados
Relatório do Cimi revela aumento alarmante na violência contra povos indígenas, com 258 assassinatos em 2025, superando 2024. Dados evidenciam a luta por terras e a vulnerabilidade das comunidades.

Dados recentes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontam que, em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas no Brasil, um aumento significativo em relação aos 211 casos do ano anterior. Os estados que apresentaram os maiores números de assassinatos foram Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37), conforme informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade.
O Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil destaca que a situação de insegurança enfrentada pelos indígenas em 2025 resultou em uma série de ataques, especialmente relacionados à luta por terras, além de um aumento da vulnerabilidade e das invasões em suas áreas. O estudo revela um crescimento em três tipos de violência: contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do Poder Público.
Nos primeiros dias de 2025, um ataque na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, no Paraná, resultou em quatro indígenas do povo Avá-Guarani baleados, um deles perdendo os movimentos das pernas. Além disso, em março, o Pataxó Vitor Braz foi morto na Bahia, e em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi assassinado em Mato Grosso do Sul, ambos os casos ocorrendo em terras já demarcadas pelo Estado.
O relatório também menciona que os ataques a direitos territoriais indígenas não podem ser dissociados da Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal, que está em impasse no Poder Judiciário. O texto ressalta que essa lei permite a exploração de terras indígenas por terceiros e dificultam as demarcações, além de ser acompanhada por uma pressão econômica pela exploração de recursos naturais em áreas indígenas.
Em 2025, foram contabilizados 1.276 casos de violência contra o patrimônio, sendo que 897 desses casos estão relacionados à omissão na regularização de terras. Além disso, o relatório aponta que foram registrados 215 suicídios entre indígenas, além de um aumento significativo no número de óbitos de crianças indígenas, totalizando 1.024 mortes até 4 anos, a maioria delas por causas evitáveis. O cenário é agravado pela falta de infraestrutura e assistência em saúde, destacando a urgente necessidade de políticas que garantam a proteção e os direitos dos povos indígenas.
Fonte: D24AM