Voto Feminino no Brasil: Uma Luta Contra Resistência Histórica
O voto feminino no Brasil enfrentou séculos de resistência e machismo, desde a sua rejeição em 1891 até os discursos atuais que tentam deslegitimá-lo.

O debate sobre o voto feminino no Brasil revela uma longa história de resistência e machismo. Desde 1891, quando o senador Coelho e Campos disse que "Minha mulher não irá votar", até declarações contemporâneas que questionam a capacidade das mulheres para a política, as vozes contra o sufrágio feminino têm ecoado ao longo do tempo.
Estudiosas do tema, como a professora Fernanda Abreu da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), afirmam que esses discursos são reações aos avanços das mulheres na cidadania. "A linguagem pode ter mudado, mas a lógica patriarcal e machista permanece a mesma", ressalta Fernanda, enfatizando que o voto feminino foi uma conquista que exigiu luta contra a resistência do Estado e da sociedade machista.
A professora também destaca que, em 2026, com mais de 83 milhões de mulheres aptas a votar, os ataques ao voto feminino funcionam como uma estratégia de intimidação política. "Qualquer discurso que questione o voto feminino viola o Artigo 14 da Constituição de 1988", explica, ressaltando a importância de acionar a Procuradoria-Geral da República para lidar com essa questão grave.
A pesquisadora Cibele Tenório da Universidade de Brasília (UnB) observa que a recorrência dos ataques ao voto feminino é uma expressão do machismo estrutural que persiste. "As sufragistas do século 20 lutaram de forma exemplar para garantir direitos para todas nós", afirma, destacando a necessidade de estar alerta a qualquer ameaça à participação política das mulheres.
Com a história de luta das sufragistas, como Leolinda Daltro e Bertha Lutz, é evidente que a conquista do voto não foi um ato isolado, mas sim resultado de uma mobilização intensa e estratégica. As pesquisadoras concordam que o Brasil precisa reafirmar seu compromisso com os direitos políticos das mulheres e reforçar campanhas educativas para promover a participação feminina nas eleições.
Fonte: D24AM