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76% das indústrias citam juros altos como maior barreira para crédito em 2026

Uma pesquisa da CNI revela que 76% das indústrias veem os juros elevados como o maior obstáculo para acessar crédito. Apesar de uma leve queda nas queixas, o problema persiste.

Carlos Eduardo Lima4 min de leituraindústria, crédito, juros
76% das indústrias citam juros altos como maior barreira para crédito em 2026
Foto: Juros altos são entrave para a indústria obter crédito, mostra pesquisa (Imagem ilustrativa)

SÃO PAULO – As taxas de juros seguem como o principal obstáculo para o acesso ao crédito pela indústria, segundo a sondagem especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre as condições de acesso ao crédito em 2026, divulgada nesta sexta-feira (9). Cerca de 76% das empresas do setor que tiveram dificuldade para obter crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos) apontaram os juros altos entre os principais entraves para o financiamento.

Na busca por crédito de longo prazo (acima de cinco anos), os juros foram citados por quase 69% dos empresários. A queixa dos empresários quanto à taxa de juros diminuiu em relação à pesquisa anterior, quando 80% e 71% dos entrevistados apontaram essa como a maior barreira para as operações de curto/médio prazo e de longo prazo, respectivamente. Apesar disso, o custo do crédito segue na dianteira do ranking de principais obstáculos para o financiamento do setor industrial.

Depois da Selic, o segundo maior entrave ao crédito de curto/médio prazo mencionado pelas empresas foram as exigências de garantias reais, como bens imóveis, pelas instituições financeiras, citadas por um terço das empresas (33,4%) que tiveram dificuldade para acessar crédito. Em relação às operações de longo prazo, o problema foi apontado por 31,5% dos industriais. A terceira dificuldade mais apontada para o acesso ao crédito de curto/médio prazo foi a burocracia, assinalada por 13,6% das empresas. No caso do crédito de longo prazo, foi o prazo de carência menor do que o necessário (18,9%), indicando que as empresas gostariam de ter mais tempo para começar a pagar as linhas de crédito pretendidas.

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De acordo com a pesquisa, metade das empresas industriais (49,9%) não buscou contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo no período. Somente 22,9% contrataram ou renovaram financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não conseguiram obter os recursos. Em relação ao crédito de longo prazo, a proporção de empresas que não tentaram contratar ou renovar foi ainda maior: 54%. Outros 15,5% conseguiram um novo financiamento ou a extensão do anterior. Além disso, 9,2% tentaram, mas não conseguiram acessar o crédito. Levando-se em conta apenas as empresas que buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo nos seis meses anteriores à pesquisa, quase uma em cada quatro (24,7%) não tiveram sucesso, porcentual que sobe para 37,2% nas operações de longo prazo.

Nas operações de curto/médio prazo, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como a principal finalidade do crédito. Em seguida, aparecem o investimento em máquinas e equipamentos (13,2%) e o investimento em construção/instalações (5,8%). Para o crédito de longo prazo, os percentuais indicam que 25% das empresas buscaram financiamento para máquinas e equipamentos, enquanto 26,7% o fizeram para capital de giro. A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, destacou que o capital de giro é geralmente utilizado para despesas do dia a dia, e que é esperado que o crédito de curto prazo seja buscado para essa finalidade, mas chama atenção o uso do crédito de longo prazo para capital de giro.

Quanto às soluções para melhorar o acesso ao crédito, a redução dos custos tributários e administrativos foi apontada como principal alternativa tanto para o financiamento de curto/médio prazo (38,4%) quanto para o de longo prazo (31,2%). Em seguida, aparecem a ampliação das linhas de crédito públicas, mencionada por 22,8% das empresas no curto/médio prazo e por 26,3% no longo prazo, e a simplificação das exigências impostas pelas instituições financeiras, assinalada por 21,1% e 22,1%, respectivamente. O levantamento consultou 1.701 empresas industriais — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre 3 e 12 de agosto de 2026, considerando o período de fevereiro a julho de 2026.

Fonte: Amazonas Atual

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