Animais amazônicos utilizam estratégias variadas de cortejo na reprodução
Animais amazônicos como macaco-de-cheiro, galo-da-serra, tucunaré, poraquê, grilo-arbóreo e besouro-rinoceronte apresentam estratégias de cortejo variadas para reprodução.

Os animais da Amazônia apresentam diferentes estratégias de cortejo para encontrar parceiros e garantir o sucesso reprodutivo. Entre eles, destacam-se o macaco-de-cheiro, o galo-da-serra, peixes como o tucunaré e o poraquê, além de insetos como o grilo-arbóreo e o besouro-rinoceronte.
De acordo com a professora Wlaisa Sampaio, coordenadora do Grupo de Estudos de Animais Selvagens (Geas Carajás) da Ufra, o macaco-de-cheiro (Saimiri collinsi) é um primata exclusivo do bioma amazônico, com distribuição ao sul do rio Amazonas. Os machos dessa espécie apresentam reprodução sazonal e exibem o fenômeno conhecido como 'fattening', acumulando gordura e água nos ombros e tórax no início da estação de cópulas. Essa aparência mais 'gorda' e 'inchada' atrai as fêmeas e indica dominância, podendo estar relacionada à qualidade seminal.
O galo-da-serra (Rupicola rupicola), encontrado em florestas úmidas do norte do Brasil e outros países amazônicos, realiza um ritual de cortejo chamado Lek. Cerca de 15 ou mais machos se reúnem para se exibir e dançar em palcos individuais. Quando a fêmea chega, observa a apresentação e escolhe o parceiro, pousando atrás dele para mordiscar suas penas ou bicá-lo no pescoço. Às vezes, os machos ficam tão envolvidos na competição que a fêmea precisa insistir para chamar a atenção.
No ambiente aquático, os peixes apresentam grande diversidade de estratégias. Segundo o professor Bruno Prudente, do PPGAqRAT, o tucunaré (Cichla sp) intensifica as cores durante o período reprodutivo e limpa cuidadosamente o ninho. O macho desenvolve uma gibosidade na cabeça, que serve como reserva de energia para o cuidado dos filhotes, protegendo-os até mesmo dentro da própria boca. Peixes elétricos como o poraquê (Electrophorus sp) utilizam descargas elétricas de baixa intensidade para cortejar, sincronizando sinais elétricos para reconhecer o parceiro. Já ciclídeos como o acará-bandeira (Pterophyllum sp) e piabinhas (caracídeos) realizam danças sincronizadas e vibrações corporais para sincronizar a desova.
Entre os insetos, a professora Telma Batista e o discente Pedro Silva, do Museu de Entomologia da Ufra, destacam o grilo-arbóreo (Oecanthus buxixu), que utiliza a cantoria como ritual de conquista. O macho emite sons específicos por estridulação, permitindo que as fêmeas identifiquem parceiros adequados. Esse canto pode transmitir informações sobre tamanho, vigor e condição física. O besouro-rinoceronte (Megaceras crassum), por sua vez, apresenta lutas entre machos pelo acesso às fêmeas, utilizando chifres desenvolvidos. Essas disputas raramente resultam em ferimentos graves e servem para determinar o indivíduo mais forte, favorecendo machos com chifres maiores na reprodução.
Fonte: Portal Amazônia