APA Triunfo do Xingu lidera pressão por desmatamento na Amazônia em 2026
APA Triunfo do Xingu foi a área protegida mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no 1º trimestre de 2026, segundo relatório do Imazon. Territórios em Roraima também lideram ameaças.

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, foi a área protegida mais pressionada pela derrubada florestal na Amazônia entre janeiro e março de 2026. O território está no epicentro da expansão da pecuária extensiva no Pará e sofre também com o desmatamento para garimpo.
Segundo o relatório "Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas", do Imazon, a APA Triunfo do Xingu já havia ocupado posições entre as 10 áreas protegidas mais pressionadas nos três últimos trimestres de 2025. O relatório diferencia ameaça, quando a redução florestal ocorre nos arredores das áreas protegidas, e pressão, caracterizada pelo desmatamento em seu interior.
A pesquisadora do Imazon, Bianca Santos, destaca que a análise dos dados de monitoramento em indicadores estratégicos pode ajudar governos e órgãos ambientais a direcionar equipes para os locais mais ameaçados, onde o crime ambiental se aproxima, para realizar ações preventivas e impedir o avanço do desmatamento.
Entre os territórios com maior pressão, cinco são unidades de conservação estaduais, quatro são terras indígenas e apenas uma é unidade de conservação federal. No caso das áreas protegidas mais ameaçadas, o estado de Roraima concentra seis dos 10 territórios mais críticos, sendo quatro deles integralmente no estado e outros dois parcialmente. A Floresta Nacional de Roraima lidera a lista, seguida pela Terra Indígena Waimiri Atroari, que também abrange parte do Amazonas, e pela Terra Indígena Wai Wai.
O relatório aponta que o estado de Roraima passou a concentrar a maioria dos territórios com grau superior de ameaça em 2026 devido a fatores climáticos e dinâmicas regionais de uso do solo. Enquanto a maior parte da Amazônia Legal enfrenta o período chuvoso no início do ano, Roraima atravessa sua estação seca, o que facilita o desmatamento e o uso do fogo, elevando os índices de devastação no primeiro trimestre de 2026, segundo o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.
Além disso, o território Yanomami, localizado no Amazonas e em Roraima, ocupou a primeira posição entre as terras indígenas mais pressionadas, mesmo após esforços de desintrusão realizados desde 2024 pelo Governo Federal. O local abriga mais de 31 mil indígenas de oito povos diferentes, incluindo grupos isolados, e segue com presença de crime ambiental, favorecida por garimpos móveis e logística clandestina de pistas de pouso.
A Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, e a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, entre as terras indígenas mais pressionadas. O relatório indica ainda que quatro dos 10 territórios da lista (Yanomami, Alto Rio Negro, Cué-Cué/Marabitanas e Waimiri Atroari) também figuraram entre os mais pressionados no levantamento anterior, de outubro a dezembro de 2025, mostrando a persistência do desmatamento.
Entre as áreas mais ameaçadas, destacam-se a Terra Indígena Waimiri Atroari, situada no Amazonas e em Roraima, e a Terra Indígena WaiWái, localizada em Roraima. Quatro dos 10 territórios mais ameaçados no período também apareceram no ranking anterior: Waimiri Atroari, WaiWái, Trombetas/Mapuera e Alto Rio Guamá.
Fonte: Portal Amazônia