Aqui Não Entra Luz: filme revela a segregação dos quartos de empregada
O longa-metragem de Karol Maia explora a segregação espacial nas casas brasileiras, focando na vivência de empregadas domésticas. O filme já está em cartaz desde o dia 7 de novembro.

A cineasta paulistana Karol Maia traz à tona um tema impactante em seu filme de estreia, Aqui Não Entra Luz, que explora a segregação dos espaços nas casas brasileiras, especialmente os quartos destinados a empregadas domésticas. Segundo ela, esses ambientes são frequentemente localizados nas áreas de serviço, perto da cozinha e do tanque, e geralmente são menores em comparação com o restante da casa.
O longa, que estreou no dia 7 de novembro, narra a história de cinco mulheres que atuaram ou ainda atuam como empregadas domésticas em diversos estados do Brasil. A inspiração para a trama vem das experiências pessoais de Karol, que acompanhava sua mãe, Miriam Mendes, em seu trabalho durante a infância, e que também é uma das personagens do filme.
A cineasta destaca que sua mãe a levava ao trabalho não por necessidade, mas pelo desejo de estar próxima. Essa relação íntima reflete um apego maternal, algo que Karol valoriza. “Era um apego materno”, enfatiza, revelando como sua vivência familiar moldou a narrativa do filme.
Outra personagem significativa do documentário é Maria do Rosário Rodrigues de Jesus, conhecida como Rosarinha, que compartilha sua jornada de vida marcada por promessas não cumpridas. Ela recorda como, sendo de uma família pobre, teve que trabalhar cedo para ajudar a cuidar dos irmãos. Para Rosarinha, participar do filme é uma forma de revisitar um passado difícil, mas que também lhe trouxe orgulho por suas conquistas e resiliência.
Karol Maia iniciou as pesquisas para o filme em 2017, escolhendo estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Maranhão, que historicamente receberam grande mão de obra escrava. Durante essas pesquisas, a cineasta observou a diferença na conservação dos espaços, evidenciando a falta de atenção às Senzalas em contraste com as áreas nobres das casas. A questão da preservação da memória histórica também é abordada no filme, ressaltando a necessidade de um olhar crítico sobre a arquitetura moderna e suas raízes.
Fonte: D24AM