Dolores Fonzi é indicada ao Prêmio Platino com filme sobre aborto legal
O filme 'Belén', que retrata a luta pelo aborto legal na Argentina, é concorrente ao Prêmio Platino. A obra, dirigida por Dolores Fonzi, destaca injustiças enfrentadas por mulheres.

Na Argentina, uma jovem de apenas 20 anos, enfrentando a pobreza, chega a um hospital público com intensas dores abdominais. Após sofrer um aborto espontâneo, ela é acusada injustamente de homicídio e passa cerca de dois anos presa, até que uma mobilização de mulheres exige a revisão do processo e sua libertação.
Esse caso real, que se tornou um marco na luta pelo aborto legal no país, é a base do filme Belén, que está concorrendo ao Prêmio Platino Xcaret, considerado o Oscar do cinema ibero-americano. A premiação ocorrerá neste sábado (9), no México, e o filme disputa o troféu de Melhor Filme com a produção O Agente Secreto, de Kleber Mendonça.
Com dez anos desde a libertação da jovem, o longa-metragem reacende o debate sobre direitos sexuais e reprodutivos na Argentina. Dolores Fonzi, diretora do filme, comentou em entrevista à Agência Brasil, realizada na sexta-feira (8), sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres após a ascensão do ultradireitista Javier Milei à presidência, que tem imposto barreiras ao acesso ao aborto.
Apesar de a legislação permitir o aborto, Fonzi destacou que as restrições financeiras tornam a prática inacessível para muitas. Segundo ela, “um aborto medicamentoso custa quase 20% de um salário mínimo e estão sendo cobrados. As mulheres pobres ainda não têm acesso”, enfatizando a falta de apoio governamental, mesmo em hospitais públicos.
O filme Belén é uma importante ferramenta educativa, sendo exibido em escolas, universidades e centros comunitários, abrangendo até mesmo escolas primárias. A produtora Letícia Cristi ressaltou que a produção retrata a negligência e a violação de direitos das mulheres pobres, culminando em um apelo à solidariedade e à mobilização social. A história é um reflexo da luta coletiva e da importância do movimento feminista, que se uniu em favor da revisão judicial do caso.
Fonte: D24AM