Aumento de temperaturas extremas na Amazônia chega a 3,2 °C desde 1981
Estudo revela que a região centro-norte da Amazônia enfrenta um aumento acentuado nas temperaturas extremas e déficit hídrico. Cientistas alertam para consequências graves devido às mudanças climáticas.

Um estudo recente mostra que a região centro-norte da Amazônia, que abrange mais de 700 mil quilômetros quadrados, registrou um aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. Essa elevação representa uma média de 0,75 °C por década, conforme pesquisa publicada na revista Communications Earth & Environment por um grupo de 53 cientistas, incluindo brasileiros.
O aumento observado na região centro-norte é significativamente maior do que o crescimento de 0,2 °C por década na temperatura média anual da floresta tropical. Os dados revelam que o clima do bioma amazônico não está mudando de maneira uniforme, com o sul da Amazônia apresentando um aquecimento médio mais acelerado, enquanto o déficit hídrico e as temperaturas extremas aumentam de forma mais rápida no centro-norte, longe do arco do desmatamento.
Os especialistas afirmam que essa situação não se deve apenas à perda de florestas, que é o principal fator de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, mas também às mudanças climáticas globais. Em meio a esse cenário, há preocupações com o El Niño deste ano, que pode ser o mais intenso já registrado, resultando em temperaturas elevadas e secas extremas, especialmente após a grande estiagem que ocorreu em 2024.
A pesquisa enfatiza a necessidade urgente de reduzir as emissões e implementar medidas de mitigação e adaptação, como a conservação de florestas nativas, o combate ao desmatamento e a promoção da restauração florestal. A pesquisadora Liana Anderson, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), destaca que os dados indicam que os extremos climáticos estão se tornando mais críticos, causando impactos sociais, ambientais e econômicos significativos.
Além disso, o pesquisador Luiz Aragão, também do Inpe, salienta que a região centro-norte, que possui alta cobertura florestal e é considerada resiliente, está começando a enfrentar eventos climáticos extremos. As pesquisas destacam a importância de desenvolver estratégias de adaptação e mitigação para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, especialmente em uma região tão rica em biodiversidade e cultura.
Fonte: Portal Amazônia