Devastação da Amazônia ameaça maior máquina de chuva do planeta
Pesquisadoras alertam que a destruição da Amazônia está impactando o ciclo hídrico da América do Sul, essencial para a vida no continente.

BRASÍLIA — A Amazônia, conhecida como a maior máquina de chuva do mundo, é um mecanismo vital que garante o acesso à água, rios e plantações para milhões de pessoas na América do Sul. Este sistema funciona através da umidade vinda do oceano que, ao produzir chuvas sobre a floresta, é absorvida pelas árvores e devolvida à atmosfera na forma de vapor. O vento então espalha esse vapor, gerando chuvas em várias regiões do continente.
A pesquisadora Julia Valentim Tavares destaca que a Amazônia representa a principal infraestrutura hídrica da América do Sul. Uma única árvore adulta pode liberar entre 200 a 300 litros de água diariamente. “Imagine 400 bilhões delas trabalhando juntas todos os dias. Se pudéssemos visualizar essa umidade, veríamos o que chamamos de rios voadores”, explica.
Durante o evento TEDxAmazônia, realizado no final de agosto no Equador, Julia e Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, enfatizaram a importância deste sistema hídrico. Elas alertaram que a devastação da Amazônia já está afetando essa máquina de chuva, e sua quebra teria consequências desastrosas para o planeta. O desmatamento, a mineração e o narcotráfico estão comprometendo a conectividade da floresta, essencial para sua conservação.
Marielos Peñaclaros afirmou que 88% da bacia amazônica já sente os efeitos da seca, que intensificou a vulnerabilidade da floresta a queimadas, registradas em números alarmantes no último ano. Ela destacou que a temperatura aumentou nas áreas desmatadas, e as sequências de seca se tornaram mais severas. Julia Tavares também estuda a diminuição das chuvas na borda sul da Amazônia, onde as árvores estão cada vez mais vulneráveis à falta de água.
As pesquisadoras alertam que o fenômeno El Niño, cada vez mais intenso, pode agravar ainda mais a situação. Se as árvores não conseguirem resistir às sequências de seca, a Amazônia pode deixar de funcionar como um sumidouro de carbono e começar a emitir carbono, contribuindo para o aquecimento global. Para combater esses desafios, é necessário reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e restaurar as áreas degradadas da floresta.
Fonte: Amazonas Atual