Automapeamento revela 52 comunidades quilombolas no Pará
Um diagnóstico apresentado em Belém destaca 52 comunidades quilombolas no Pará, abordando a falta de regularização fundiária e as demandas por direitos territoriais.

As comunidades quilombolas do Pará estão localizadas em diversos municípios, incluindo Abaetetuba, Barcarena, Cametá e Moju. Durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual realizada em Belém, foi apresentado um diagnóstico que sistematiza informações sobre 52 desses territórios, destacando a necessidade de atenção às questões de destinação de terras e direitos territoriais.
O evento contou com a participação de instituições como o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), o Ministério Público (MP), a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA) e universidades. Os dados foram coletados por meio de uma colaboração entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará) e a iniciativa “Tô no Mapa”, que visa garantir o acesso à terra e a políticas públicas mais eficazes.
Os números foram organizados em dois documentos complementares que incluem informações sobre as comunidades quilombolas em municípios como Acará, Baião, Oeiras do Pará, Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari. Raquel Poça, pesquisadora do IPAM, explicou que o trabalho visa identificar áreas ocupadas por comunidades que ainda não estão formalmente registradas, ressaltando a importância da visibilidade e proteção desses territórios.
O diagnóstico revela um cenário preocupante, com muitas comunidades ainda sem titulação ou inserção em mecanismos formais de reconhecimento, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Das 19 comunidades analisadas, uma parte significativa não iniciou processos de regularização fundiária, evidenciando a necessidade de ações prioritárias por parte dos órgãos responsáveis.
As diferenças regionais foram também destacadas, com comunidades na região da Guajarina identificadas como mais vulneráveis. Bruno Kono, presidente do Iterpa, enfatizou que o processo de regularização fundiária deve ser um esforço conjunto entre as comunidades e as instituições. O trabalho de automapeamento realizado pela Malungu foi fundamental para fortalecer a presença nas comunidades e apoiar a autonomia local, permitindo que as comunidades se tornem protagonistas na reivindicação de seus direitos territoriais.
Fonte: Portal Amazônia