Brasil é referência mundial em eleições eletrônicas, diz especialista em engenharia
O uso da urna eletrônica revolucionou o sistema eleitoral brasileiro, tornando-o mais seguro e eficiente, segundo Jéferson Campos Nobre, do IEEE.

Manaus - Há três décadas, o Brasil iniciava uma grande transformação tecnológica em sua administração pública com a introdução da urna eletrônica. Essa inovação, que ainda hoje é vista como um modelo mundial, foi possível graças aos avanços nas áreas de engenharia, especialmente em computação, telecomunicações e segurança da informação.
De acordo com Jéferson Campos Nobre, membro sênior do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), a utilização de hardware e sistemas operacionais desenvolvidos especificamente para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resultou em um processo de votação mais rápido, acessível e seguro. A engenharia está presente em todos os aspectos do sistema eleitoral, desde o desenvolvimento do hardware até a criptografia dos dados e a auditoria pública.
O sistema eleitoral brasileiro, por exemplo, utiliza o Uenux, um sistema operacional baseado em Linux, que permite atualizações constantes e maior segurança. Essa tecnologia é projetada para funcionar exclusivamente com o hardware das urnas, sem conexão com redes externas, e inclui mecanismos de validação que garantem a integridade das operações realizadas.
Além disso, cada componente da urna, incluindo o teclado e o leitor biométrico, possui chips criptográficos que garantem sua operação apenas quando reconhecidos pelo sistema do TSE. O especialista destaca que o sigilo do voto é assegurado através do armazenamento dos votos de forma embaralhada, evitando qualquer associação entre o eleitor e sua escolha.
Por fim, Nobre ressalta que, embora o sistema seja considerado seguro e amplamente auditado, o avanço das tecnologias digitais traz novos desafios, como o uso de deepfakes e a desinformação nas redes sociais. Ele acredita que, apesar dessas dificuldades, a tecnologia também pode ser uma aliada no combate à desinformação, com ferramentas de inteligência artificial que ajudam a detectar comportamentos suspeitos e a responder a incidentes cibernéticos.
Fonte: D24AM