Brasil se une a pesquisa global em busca de cura para hepatite B
Universidades brasileiras participam de consórcio internacional que investiga tratamentos para hepatite B, visando eliminar a doença até 2030.

O Brasil está participando de uma pesquisa inovadora que reúne universidades públicas nacionais e instituições internacionais com o objetivo de descobrir novos tratamentos e, potencialmente, uma cura para a hepatite B. O consórcio é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e conta com a colaboração de grupos de pesquisa do Brasil, Índia, Senegal e Uganda.
Representando o Brasil, o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP) estão ativamente envolvidos no estudo. A pesquisa global, que se concentra na observação do comportamento do vírus em diferentes populações, também analisará as respostas imunológicas de pacientes infectados, incluindo aqueles que possuem coinfecção por hepatite B e HIV.
A professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, uma das referências no estudo da hepatite B, destacou a importância deste esforço: "A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global". Ela também enfatizou que a meta é eliminar a hepatite B como um problema de saúde pública até 2030, alinhando-se com as metas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O consórcio foi inicialmente criado em 2023, passou por uma suspensão em 2024 e foi retomado no ano seguinte. No Brasil, a pesquisa começou neste ano e terá uma duração estimada de cinco anos, integrando pesquisa científica básica com prática clínica. Reuter informou que os pesquisadores irão acompanhar 600 pacientes, sendo 150 de cada um dos países participantes, ao longo de quatro anos e meio.
A pesquisa busca entender por que o vírus evolui de maneira diferente em pacientes diversos, investigando características genéticas que podem oferecer proteção e subpartículas virais que possam servir como preditores de cura ou tratamento. Até agora, 40 participantes foram recrutados por Reuter, que espera completar o grupo de 75 até o final do ano. "Estamos aqui para mitigar a evolução de cirrose e câncer hepático", finaliza, ressaltando a gravidade da hepatite B, que pode levar a complicações severas como cirrose e câncer de fígado.
Fonte: D24AM