Mudanças nas Diretrizes para Tratamento da Tireoide em Gestantes
Novas diretrizes indicam que gestantes com anticorpos anti-TPO positivos e tireoide normal não devem usar hormônio. Alterações foram apresentadas durante congresso no Rio.

Em Brasília, novas diretrizes foram estabelecidas para o tratamento de gestantes com anticorpos positivos contra a tireoide (anti-TPO), que não precisam mais utilizar medicamento hormonal caso a função tireoidiana esteja normal. Essa mudança foi respaldada por três estudos recentes que demonstraram que o uso preventivo desses medicamentos não reduz o risco de abortos ou partos prematuros.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, junto à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, anunciou as novas recomendações aos profissionais de saúde durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado no Rio de Janeiro. As orientações foram baseadas em diretrizes publicadas pela Associação Americana da Tireoide, que foram atualizadas pela primeira vez desde 2017.
Segundo o novo posicionamento, gestantes que apresentam anticorpos anti-TPO, mas que têm a tireoide funcionando normalmente, não devem receber a versão sintética do hormônio (levotiroxina) como tratamento preventivo. O médico Cleo Mesa Júnior, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, enfatiza que a presença de anticorpos não justifica a utilização do hormônio se os níveis de TSH e T4 estão normais.
Apesar da recomendação de não usar medicação hormonal, o monitoramento da função tireoidiana continuará, pois há risco de desenvolvimento de hipotireoidismo durante a gestação. Para mulheres que já apresentavam hipotireoidismo antes da gravidez, a recomendação é aumentar a dose do hormônio em cerca de 30% assim que engravidarem.
Além disso, as novas diretrizes adaptaram o rastreamento de alterações da tireoide em gestantes, focando em um grupo de risco mais específico. Fatores como idade materna e obesidade, que anteriormente eram considerados, agora não são mais determinantes para o rastreamento, pois não identificavam com precisão as mulheres que realmente necessitam de investigação.
Fonte: D24AM