Câncer de cabeça e pescoço é diagnosticado em estágio avançado na maioria dos casos
Estima-se que 80% dos pacientes brasileiros descubram câncer de cabeça e pescoço em estágio avançado, dificultando o tratamento. O INCA projeta 126.450 novos casos entre 2026 e 2028.

Em São Paulo, muitos sinais como rouquidão persistente, feridas bucais que não cicatrizam, dificuldades para engolir ou caroços no pescoço são frequentemente ignorados, considerados apenas problemas passageiros. Contudo, esses sintomas podem indicar a presença de cânceres de cabeça e pescoço, um grupo de tumores bastante agressivos. O diagnóstico tardio continua sendo um grande desafio, com estimativas que apontam que oito em cada dez pacientes recebem a notícia da doença já em estágio avançado.
Esses dados se tornam ainda mais alarmantes quando analisadas as projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entre 2026 e 2028, o Brasil deverá registrar cerca de 126.450 novos casos de câncer na cavidade oral, tireoide e laringe, o que corresponde a uma média de 42.150 diagnósticos anuais. No Amazonas, a previsão é de que sejam identificados 1.140 novos casos no mesmo período, ou seja, cerca de 380 diagnósticos por ano.
Um dos principais problemas é o diagnóstico tardio. Pacientes frequentemente convivem com sintomas que parecem simples, como uma rouquidão leve ou pequenas lesões na boca, sem perceber que podem estar enfrentando um câncer. A cirurgiã-dentista Janini Rosas salienta que a detecção precoce é fundamental para a preservação de funções essenciais como a fala e a deglutição, além de aumentar as chances de cura.
O INCA estima que o câncer da cavidade oral e da orofaringe deverá afetar aproximadamente 17,2 mil brasileiros por ano entre 2026 e 2028, sendo mais comum entre os homens, com cerca de 12,3 mil diagnósticos anuais. O câncer de tireoide, por sua vez, deve atingir cerca de 16,4 mil brasileiros, com quatro em cada cinco casos ocorrendo em mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide é o oitavo mais frequente no país.
A rouquidão persistente pode ser um sinal de câncer de laringe, que deve registrar cerca de 8,5 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, com 86% dos diagnósticos entre homens. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool são os principais fatores de risco. A doutora Janini destaca que a informação é essencial para a redução de diagnósticos tardios, uma vez que reconhecer os sinais de alerta pode significar a diferença entre tratamentos menos agressivos e abordagens mais complexas que afetam a qualidade de vida do paciente.
Fonte: D24AM