Candidatos à saúde na Amazônia: Promessas de hospitais e ausência de prevenção
Candidatos às eleições de 2026 propõem aumento de leitos e construção de hospitais, mas falham em abordar a prevenção em saúde, crucial para reduzir superlotação.

MANAUS – Nos próximos quatro anos, os governantes dos estados amazônicos enfrentarão o desafio de melhorar o acesso à saúde básica, promovendo uma distribuição equitativa dos leitos hospitalares e implementando medidas preventivas para evitar a superlotação nos serviços de saúde. As propostas dos candidatos incluem ações como programas de regulação, reformas e ampliações nas unidades de saúde, além da construção de novos hospitais.
Os problemas de saúde na Amazônia são complexos e abrangem desde a falta de prevenção adequada até a escassez de médicos. Um estudo sobre a saúde na Amazônia Legal revela que a média é de apenas 1,70 médico para cada mil habitantes, em contraste com o Sudeste, onde essa média é de 3,76 médicos para mil habitantes. Essa discrepância contribui para a sobrecarga do sistema de saúde, que enfrenta um número elevado de internações por condições que poderiam ser evitadas.
Dados do DataSUS indicam que, em 2024, 19,53% das internações no Amazonas foram por condições sensíveis à atenção primária, superando a média nacional de 15,4%. Além disso, a falta de saneamento básico agrava a situação da saúde pública, com um estudo de 2025 revelando que 82,4% da população da Amazônia Legal não tinha acesso à coleta de esgoto, sendo que no Amazonas esse índice chega a 85,8%.
Especialistas em saúde alertam que o investimento deve ir além da construção de hospitais, focando também na prevenção. O professor e pesquisador João Simão, da Universidade Federal do Pará, destaca que a prevenção de doenças exige políticas contínuas, como vacinação e controle de doenças crônicas. A professora Tatiane Lima Aguiar, da Ufam, complementa que a falta de atuação preventiva compromete todo o sistema de saúde, aumentando a pressão sobre os serviços de urgência e as internações hospitalares.
Além disso, o Ministério da Saúde identificou que 51% das unidades de atenção primária na Amazônia não estão conectadas à internet e 81% carecem de infraestrutura básica, como geladeiras para medicamentos. Essa falta de recursos compromete a capacidade de realizar ações preventivas e de acompanhamento de pacientes. O fortalecimento da atenção básica é essencial, especialmente para cuidados de saúde da mulher, como ressaltou a enfermeira obstetra Suzana Ribeiro. A universalização dos serviços de água e esgoto, segundo estimativas, poderia gerar até R$ 2 bilhões em ganhos para a saúde na região.
Fonte: Amazonas Atual