Cemitério São João Batista: um século de histórias em Rio Branco
O Cemitério São João Batista, o mais antigo de Rio Branco, abriga cerca de 80 mil sepulturas e reflete a história da cidade. Historiadora sugere sua transformação em espaço educativo.

O Cemitério São João Batista, situado em Rio Branco, é o mais antigo e extenso da capital acreana, com aproximadamente 80 mil sepulturas. Inaugurado oficialmente em 1909, o cemitério acompanhou o desenvolvimento da cidade, que se expandiu ao seu redor, preservando a memória de personalidades notáveis e de cidadãos comuns.
No Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, o local se transforma em um espaço de recordação, onde milhares de pessoas prestam homenagens aos seus entes queridos. No entanto, o cemitério também pode ser visto como uma importante fonte de conhecimento sobre a formação e transformação de Rio Branco ao longo dos anos.
A historiadora Poliana Melo, que se debruçou sobre a história do cemitério em sua pesquisa de mestrado, afirma que sua criação está atrelada às mudanças urbanas do final do século XIX e início do século XX. Neste período, questões como saúde pública e planejamento urbano tornaram-se prioridade nas decisões administrativas, e a gestão dos cemitérios passou a ser responsabilidade do poder público.
Embora 1909 seja amplamente reconhecido como o ano de fundação do cemitério, há registros que apontam para 1907 como a data de criação, conforme um documento da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. A historiadora esclarece que essa diferença pode ser resultado do uso prévio das terras como local de sepultamento antes da oficialização.
Poliana sugere que o São João Batista poderia ser transformado em um museu a céu aberto, com visitas guiadas e atividades educativas, aproveitando a rica história que ele representa. Ela ressalta que a arquitetura e os monumentos do cemitério não apenas preservam a memória de figuras importantes, mas também a de trabalhadores e famílias que contribuíram para a construção da cidade, tornando o local uma valiosa fonte de pesquisa e aprendizado.
Fonte: Portal Amazônia