Cientistas exploram Loreto, Peru, em busca da origem da biodiversidade amazônica
Uma equipe de cientistas liderada por Rodolfo Salas-Gismondi iniciou uma nova expedição em Loreto, Peru, para investigar fósseis que podem revelar a origem da biodiversidade amazônica.

No dia 20 de agosto, uma nova expedição científica começou na região de Loreto, no Peru, com o objetivo de investigar a origem da biodiversidade amazônica. Esta é a terceira viagem do projeto intitulado 'O registro fóssil de Loreto: Arquivos sobre a origem da biodiversidade amazônica', que é coordenado pelo paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi. A equipe já percorreu cerca de 500 km na fase anterior da pesquisa.
Com o apoio do Programa Nacional de Pesquisa Científica e Estudos Avançados (ProCiencia), a expedição se concentra na exploração de fósseis de novas espécies. O ponto de partida é a cidade de Pebas, conhecida por ser o local onde foram encontrados restos de crocodilos terrestres. Salas-Gismondi expressou otimismo quanto ao sucesso da expedição, especialmente devido à previsão de baixos níveis de água do Rio Amazonas e seus afluentes, o que pode facilitar o acesso a afloramentos rochosos não explorados anteriormente.
O paleontólogo da Universidad Peruana Cayetano Heredia (UPCH) destacou algumas conquistas anteriores do projeto, incluindo a descoberta de restos cranianos de uma possível anaconda durante a viagem anterior. Ele explicou que esses fósseis são raros e a equipe está ansiosa para descobrir mais sobre a fauna antiga da região, como golfinhos, crocodilos e preguiças. Salas-Gismondi também mencionou que uma nova viagem pode ocorrer em outubro ou novembro, caso as condições climáticas sejam favoráveis.
A expedição em Loreto está programada para durar até 31 de agosto e incluirá três locais principais: Iquitos, Oran e Pebas. A equipe planeja trabalhar no bairro da Flórida, nas proximidades de Iquitos, e depois seguir para Oran, onde fósseis de golfinhos são frequentemente encontrados. O foco final será Pebas, onde a equipe espera descobrir fósseis que podem enriquecer o conhecimento sobre a biodiversidade da região.
Entre os participantes da expedição estão o paleontólogo americano John Flynn e a bióloga Ana Balcarcel, além de estudantes de mestrado que estão desenvolvendo projetos relacionados à fauna amazônica. Um dos fósseis mais notáveis que se espera investigar é o Pebanista yacuruna, o maior golfinho de rio da história, que viveu no Peru há 16 milhões de anos. A expedição também visa a produção de pelo menos dois artigos científicos sobre as descobertas realizadas.
Fonte: Portal Amazônia