Como apelidos e profissões influenciam votos nas eleições
Candidatos utilizam profissões e apelidos para se conectar com eleitores. Estratégia pode facilitar a memorização, mas também gerar rejeição.

MANAUS — Nas eleições gerais deste ano, muitos candidatos têm adotado profissões e títulos em seus nomes de urna, como Professora, Delegado e Sargento. Além disso, apelidos populares como Sabugo, Curubão e Magrinha também são utilizados. O cientista político e professor da Uniasselvi, Rafael Adílio dos Santos, afirma que essas denominações funcionam como atalhos cognitivos, aproximando o candidato do eleitor e facilitando a memorização no momento do voto.
Segundo Rafael, essa estratégia visa criar uma identificação imediata com eleitores que se sentem ligados a determinadas profissões ou grupos sociais. O nome de urna proporciona uma referência sobre o candidato, mesmo para aqueles que não conhecem sua trajetória. Ele ressalta que essa prática reduz o custo de informação para o eleitor, que, diante de um grande número de candidatos, busca maneiras rápidas de tomar decisões.
Além das profissões, apelidos que refletem a rotina dos bairros ou atividades profissionais, como Zé do Bar e Chico da Padaria, podem gerar sentimentos de pertencimento. O uso de termos como “doutor” ou “doutora” tem sido comum, especialmente entre advogados e médicos, mas outras profissões também aparecem, como enfermeiros e professores. Os nomes de urna como Amanda Mototáxi e Rosa das Comunidades destacam essa conexão com o cotidiano da população.
Rafael destaca que, nas eleições proporcionais, nomes associados ao cotidiano das comunidades podem transmitir autenticidade e representatividade. No entanto, é importante que haja uma coerência entre o nome escolhido e a imagem que o candidato deseja passar. Quando um nome soa folclórico sem uma base social sólida, isso pode criar uma percepção negativa entre eleitores que buscam atributos de gestão e liderança.
A história das eleições no Amazonas confirma essa tendência, com candidatos eleitos utilizando títulos e referências profissionais. Exemplos incluem Capitão Alberto Neto e Dr. George Lins. Rafael observa que o uso de títulos pode ajudar na construção de uma imagem eleitoral, mas alerta para o risco de que essa estratégia se torne superficial, levando os eleitores a decidir com base em estereótipos em vez de propostas concretas e capacidades de gestão.
Fonte: Amazonas Atual