Conferência de Bonn finaliza com impasses e desafios para COP31
As negociações na Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas resultaram em avanços limitados e impasses, com temas centrais adiados para a COP31 na Turquia.

A Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, também conhecida como SB64, encerrou suas atividades na quinta-feira, 18 de maio de 2023, na Alemanha, deixando um cenário de impasses e progressos limitados. A avaliação de instituições envolvidas aponta que questões essenciais da agenda internacional continuam sem resolução e precisarão ser discutidas novamente na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, que acontecerá em novembro na Turquia.
Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas (UNFCCC), destacou em comunicado que as reuniões em Bonn reforçaram a importância da cooperação internacional e da implementação dos compromissos estabelecidos no Acordo de Paris. Segundo ele, os trabalhos técnicos realizados durante a conferência criaram uma base para que as nações progridam nas negociações futuras.
No entanto, organizações da sociedade civil apresentaram uma avaliação mais crítica sobre os resultados da conferência. O Observatório do Clima (OC) descreveu o desfecho como decepcionante e observou que a conferência foi marcada por incertezas políticas e dificuldades em avançar em temas fundamentais. Segundo o OC, houve resistência dos negociadores em preservar compromissos anteriormente acordados e em adiar a publicação de documentos essenciais sobre a crise climática.
Um aspecto curioso mencionado pelo OC foi a oposição de alguns países em desenvolvimento à fundação do regime climático, a ciência. Com apoio de nações como China e Índia, os membros do G77, que representam o bloco das nações do Sul Global, tentaram postergar a divulgação do AR7, o próximo relatório do IPCC, o painel do clima da ONU. Isso aponta para um cenário de bloqueios e decisões adiadas em diversas áreas críticas das negociações.
A Climate Action Network (CAN) expressou preocupação com os impasses nas negociações sobre adaptação, destacando que divergências em torno do financiamento impediram consensos na Meta Global de Adaptação. Já a World Wildlife Fund (WWF) teve uma avaliação mais otimista, considerando que a conferência em Bonn consolidou uma mudança de foco nas negociações, priorizando a implementação sobre promessas. Tatiana Oliveira, do WWF-Brasil, enfatizou a importância de transformar o engajamento político em resultados concretos, especialmente no que diz respeito ao financiamento climático.
Fonte: D24AM