Mudanças na pesca são essenciais para salvar albatrozes ameaçados
Os albatrozes e petréis estão entre as aves mais ameaçadas do mundo, com a pesca de espinhel como uma das principais causas de sua morte. No Dia Mundial do Albatroz, especialistas pedem ações urgentes para proteger essas aves.

Em Brasília, os albatrozes e petréis se destacam como as aves mais ameaçadas globalmente, um fato alarmante que foi lembrado na última sexta-feira, 19 de abril, durante o Dia Mundial do Albatroz. Esta data é significativa, pois marca o início da vigência do Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis, que visa aumentar a conscientização sobre as particularidades biológicas dessas aves marinhas e a necessidade urgente de sua proteção.
Atualmente, das 22 espécies de albatrozes no mundo, cerca de metade frequenta as águas brasileiras em busca de alimento e climas mais favoráveis. Contudo, a população dessas aves está em declínio acelerado, o que representa um grande desafio para pesquisadores e autoridades, que se esforçam para reduzir a captura incidental decorrente da pesca de espinhel, uma técnica que envolve longas linhas com anzóis iscados.
A captura incidental de aves marinhas pela pesca de espinhel é alarmante, com cerca de 300 mil aves sendo afetadas anualmente em todo o mundo, das quais 30 a 40 mil são albatrozes e petréis. No Brasil, aproximadamente 4 mil albatrozes perdem a vida devido a essa prática, principalmente nas regiões de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A bióloga Tatiana Neves, fundadora e coordenadora do Projeto Albatroz, enfatiza que as frotas pesqueiras precisam implementar medidas rigorosas para mitigar essa situação crítica.
Desde 2006, o Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, se dedica à conservação destas aves. Embora os albatrozes realizem longas migrações em busca de alimento, eles continuam a interagir com embarcações pesqueiras nas águas brasileiras. O projeto foi criado em 1990 por Tatiana, ao perceber o impacto significativo que a morte de cada albatroz poderia ter. Hoje, existem bases de pesquisa em quatro estados, e em 2023 foi inaugurado o primeiro Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha em Cabo Frio, RJ.
Entre as medidas para reduzir a captura incidental estão a implementação de sistemas de pesos na linha de pesca e a largada noturna dos anzóis. Tatiana Neves afirma que, se aplicadas simultaneamente, essas medidas podem diminuir em até 90% a captura de albatrozes. Entretanto, a fiscalização dessas práticas em alto-mar ainda é um desafio. O governo brasileiro já discute a implementação de um sistema de monitoramento por câmeras para garantir a eficácia dessas medidas, um passo importante para a conservação dessas aves ameaçadas.
Fonte: D24AM