Cunha é investigado por emendas forjadas em diálogo com assessora
Diálogos entre Eduardo Cunha e Mariângela Fialek revelam a manipulação de emendas parlamentares. A PF investiga o caso, que envolve R$ 6,15 milhões.

SÃO PAULO — A Polícia Federal (PF) descobriu diálogos entre Eduardo Cunha e Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, no celular da ex-assessora de Arthur Lira, ex-presidente da Câmara. As conversas, que fazem parte da Operação Transparência, indicam que Cunha, cassado em 2016, estava envolvido na indicação de emendas parlamentares utilizando documentos falsificados, ocultando o verdadeiro solicitante das verbas.
A defesa de Cunha negou qualquer irregularidade na tramitação das emendas, que totalizam R$ 6,15 milhões e são destinadas a municípios e outros beneficiários públicos. A nota da defesa ressalta que a decisão judicial não implica que Cunha tenha recebido qualquer vantagem, embora o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenha bloqueado seus bens até o limite de R$ 6 milhões, com base nas informações da PF.
Os investigadores afirmam que Cunha teria direcionado, através de 21 emendas do orçamento secreto, recursos a municípios de Minas Gerais, conforme revelado pelo Estadão em 2021. Em suas conversas com Tuca, ele expressou descontentamento com prefeitos mineiros, dizendo: “Eu não aguento mais esses mineiros enrolados”, sugerindo a troca de emendas para facilitar o processo.
A PF notou que Cunha utilizava um telefone registrado em nome de sua companheira, Claudia Cordeiro Cruz, para se comunicar com Tuca. As mensagens analisadas pelos investigadores mostram um claro envolvimento de Cunha nas tratativas, com Tuca atuando como uma facilitadora que compreendia os procedimentos administrativos necessários para as emendas.
Além disso, as conversas revelam que Tuca desempenhava um papel ativo, auxiliando na gestão das demandas de Cunha e trocando informações sobre emendas e municípios. A defesa de Cunha, por sua vez, contestou as alegações e reivindicou acesso à investigação para garantir o contraditório, enfatizando que as emendas não foram diretamente apresentadas por Cunha, mas por parlamentares e órgãos competentes.
Fonte: Amazonas Atual