Degradação na Reserva Jaci-Paraná já cobre área de 210 mil campos de futebol
A Reserva Extrativista Jaci-Paraná enfrenta grave desmatamento, com 76% da área já desmatada. O MPF solicita ações urgentes para proteger as comunidades locais.

A Reserva Extrativista Jaci-Paraná, situada em Rondônia, está passando por um alarmante processo de degradação ambiental, com a cobertura florestal reduzida a apenas 23,95%. Dados do Núcleo de Geoprocessamento da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé revelam que, dos 197.364 hectares da reserva, 150.096,5 hectares já foram desmatados, o que representa cerca de 76,05% da área total.
Esse desmatamento equivale a aproximadamente 210 mil campos de futebol, refletindo a gravidade da situação. O cenário é agravado pela expansão da atividade pecuária na região, que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), abriga cerca de 165 mil cabeças de gado. Em contraste, dados da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) indicam que, em 2022, havia 216 mil cabeças de gado na Resex, o que evidencia a dificuldade do estado em controlar as invasões.
A Resex Jaci-Paraná foi criada em 1996 para proteger tanto a floresta quanto o modo de vida das populações extrativistas e ribeirinhas nos municípios de Porto Velho, Buritis e Nova Mamoré. No entanto, desde 2004, o território tem enfrentado disputas judiciais que envolvem ocupações e atividades irregulares. Em 2014, uma instrução normativa foi publicada, exigindo a retirada de gado da reserva, mas a situação permanece crítica.
Recentemente, o MPF apresentou um pedido à Justiça Federal solicitando medidas urgentes para garantir a segurança das famílias extrativistas, que têm relatado ameaças de morte e ataques violentos. O órgão pediu que a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), juntamente com a Polícia Militar Ambiental, realize uma operação de fiscalização na reserva em até 30 dias, priorizando as áreas onde vivem essas comunidades.
Edjales Benício, técnico da Kanindé, destacou a necessidade de federalização da gestão da reserva, afirmando que apenas o Governo Federal possui a capacidade de gerir e recuperar o território. Um extrativista anônimo também expressou sua angústia, afirmando que a comunidade vive sob constante ameaça. Além disso, a Kanindé, que luta pela proteção da reserva e dos direitos das comunidades locais, lançou a campanha “Chega de invasão, reserva é proteção”, buscando garantir a integridade territorial da Jaci-Paraná e a segurança dos extrativistas.
Fonte: Portal Amazônia