Dia das Crianças: investir cedo para garantir a faculdade dos filhos
O Dia das Crianças é uma oportunidade para discutir a educação financeira e investir no futuro dos filhos desde cedo. Começar a poupar agora pode facilitar o financiamento da faculdade no futuro.

Manaus - O Dia das Crianças costuma ser marcado por presentes, brincadeiras e momentos em família, mas a data também pode abrir espaço para uma conversa que acompanha os filhos por toda a vida: a relação com o dinheiro. Para famílias que desejam começar a construir uma reserva para o futuro das crianças, investir desde cedo pode fazer diferença, especialmente quando o objetivo é financiar uma etapa de maior custo, como a faculdade.
Uma revisão de mais de 100 estudos conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge aponta que hábitos e atitudes relacionados ao dinheiro começam a se formar por volta dos sete anos. No Brasil, dados do PISA 2022 mostram que apenas 2% dos estudantes avaliados alcançaram o nível mais alto de proficiência em educação financeira, enquanto a média entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) participantes foi de 11%.
Para Victor Britto, líder da XP no Amazonas, a educação financeira pode começar com situações simples do cotidiano, antes mesmo de falar diretamente sobre investimentos. "O mais importante é que a criança comece a entender, de acordo com a sua idade, que o dinheiro está relacionado a escolhas, planejamento e objetivos. Quando os pais transformam esses conceitos em situações do dia a dia, fica mais natural desenvolver uma relação responsável com o dinheiro ao longo do tempo", explica.
A educação financeira pode acompanhar diferentes momentos da infância. Entre 3 e 6 anos, por exemplo, a ideia é apresentar conceitos básicos, como a diferença entre necessidade e desejo e a importância de esperar para conquistar algo. Um cofrinho transparente pode ser uma ferramenta simples para mostrar que pequenas quantias guardadas podem se transformar em um objetivo. Dos 7 aos 12 anos, a mesada pode funcionar como um primeiro exercício de responsabilidade financeira. Uma alternativa é dividir o dinheiro entre diferentes objetivos: uma parte para gastar, outra para guardar e, eventualmente, uma terceira para ajudar outras pessoas.
Se uma criança deseja comprar um brinquedo de R$100 e consegue guardar R$10 por mês, por exemplo, ela passa a visualizar na prática a relação entre planejamento, tempo e conquista. Na adolescência, o aprendizado pode avançar para decisões mais complexas, como o uso responsável de uma conta bancária e, posteriormente, os primeiros investimentos, sempre com a participação e a supervisão do responsável legal, conforme as regras da instituição financeira.
"Não existe uma idade única ou uma fórmula pronta. O planejamento precisa considerar a realidade de cada família e, principalmente, o objetivo que se quer alcançar. Para uma criança, o grande diferencial é o horizonte de tempo, que pode ser muito maior do que o de um adulto", afirma Britto.
O tempo é um dos principais aliados quando o objetivo é construir uma reserva de longo prazo. Isso acontece porque os rendimentos acumulados podem contribuir para o crescimento do patrimônio ao longo dos anos, reduzindo a necessidade de aportes mensais maiores. Uma simulação baseada em uma rentabilidade real hipotética de 6% ao ano mostra essa diferença.
Para formar uma reserva estimada em R$40,1 mil para um curso presencial padrão, por exemplo, o aporte mensal seria de aproximadamente R$140 ao longo de 15 anos, contra R$577 mensais durante cinco anos. Para cursos de maior custo, a diferença também se torna significativa. Na mesma simulação, considerando um período de 15 anos, seriam necessários aproximadamente R$202 por mês para uma graduação em Engenharia, enquanto o valor para uma reserva equivalente a uma graduação em Medicina chegaria a cerca de R$2.861 mensais.
Os cálculos são apenas referências de planejamento e consideram retorno real hipotético de 6% ao ano, aportes realizados ao fim de cada mês e valores brutos. Os custos dos cursos são baseados em médias nacionais de mensalidades e não consideram bolsas, impostos, taxas ou reajustes diferentes da inflação.
"Quando uma família começa a se organizar com antecedência, ela ganha tempo para ajustar os aportes, rever os objetivos e lidar com diferentes momentos da vida financeira. O planejamento não precisa começar com grandes valores: a regularidade e o horizonte de longo prazo são pontos importantes nessa construção", destaca o especialista.
Para quem pretende construir uma reserva para a faculdade dos filhos, existem diferentes alternativas de investimento, que devem ser avaliadas de acordo com o prazo, o perfil da família e o objetivo definido. Uma das possibilidades é o Tesouro Educa+, título desenvolvido para objetivos educacionais. Ele combina a variação do IPCA com uma taxa de juros contratada no momento da compra e, a partir da data de conversão escolhida, transforma o valor acumulado em 60 pagamentos mensais durante cinco anos.
Também podem ser avaliadas alternativas como Tesouro IPCA+, previdência privada e outros produtos, considerando características como prazo, custos, tributação, liquidez e riscos envolvidos. Mais do que escolher um investimento, o primeiro passo é definir para que o dinheiro está sendo guardado e quando ele será utilizado. Para uma criança, esse horizonte pode ser de 10, 15 anos ou mais, o que permite que a família construa o planejamento de maneira gradual.
"O investimento é uma ferramenta para realizar um objetivo. Antes de escolher um produto, é importante que a família tenha clareza sobre o que quer construir para aquela criança e em quanto tempo. A partir daí, fica mais fácil avaliar quais estratégias fazem sentido para aquela realidade", finaliza Victor Britto.
Fonte: D24AM