Diretora da Fiesp critica PEC que propõe fim da jornada 6×1
Luciana Nunes Freire, da Fiesp, se opõe à PEC que altera a jornada de trabalho, gerando polêmica no Senado. A proposta visa reorganizar as escalas de trabalho.

O debate em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que sugere o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 ganhou novos contornos de polarização nesta quarta-feira, 1º de novembro. Durante uma audiência pública no Senado Federal, as declarações de Luciana Nunes Freire, diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), geraram grande repercussão e provocaram críticas imediatas de defensores da medida.
Defendendo a manutenção do modelo atual, Luciana questionou como o comércio e serviços essenciais funcionariam caso a jornada fosse alterada. Ela declarou: “Eu trabalho cinco por dois e, aos sábados, qualquer mulher que está nesse plenário, que está no centro urbano ou que está numa comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender?”.
A fala da diretora da Fiesp foi contestada pela deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), uma das principais defensoras da PEC no Congresso Nacional. Hilton acusou Luciana de distorcer o objetivo da proposta e de falta de empatia com a classe trabalhadora. “Uma mulher acaba de dizer em pleno Senado que é contra o fim da escala 6×1 porque ela, que faz escala 5×2, faz cabelo e compras aos sábados e as pessoas precisam trabalhar para ela”, rebateu a parlamentar.
Erika Hilton subiu o tom ao fazer uma crítica ao papel de Luciana no setor empresarial, afirmando: “Além de não conhecer o conceito de escala, ela se acha proprietária da vida e do trabalho alheio. Essa mulher é simplesmente Diretora-Executiva da Fiesp, que representa os patrões e os bilionários”. Essa declaração reflete um descontentamento com a elite empresarial e suas visões sobre o trabalho.
Especialistas e apoiadores da PEC explicam que a proposta não implica no fechamento de supermercados, farmácias, shoppings ou salões de beleza aos finais de semana. A intenção é reorganizar as jornadas de trabalho através de escalas de revezamento, garantindo que os estabelecimentos continuem funcionando normalmente, enquanto os funcionários teriam direito a mais dias de descanso. A audiência no Senado contou com a participação de representantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, parlamentares da oposição e lideranças sindicais e patronais, refletindo a complexidade do debate.
Fonte: D24AM