El Niño pode atingir intensidade muito forte no Brasil entre outubro e dezembro
O fenômeno El Niño deve intensificar-se no Brasil entre outubro e dezembro, trazendo impactos significativos nas chuvas. Meteorologistas alertam para a necessidade de monitoramento contínuo.

O fenômeno El Niño apresenta altas chances de alcançar uma intensidade muito forte no Brasil entre os meses de outubro e dezembro, que correspondem à primavera e ao início do verão. Essa atualização foi divulgada nesta quinta-feira, 9 de novembro, pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico ao longo da linha do Equador, com temperaturas que ficam, pelo menos, 0,5 °C acima da média por um período prolongado. Além do aumento da temperatura das águas, há também mudanças na circulação atmosférica dos ventos que sopram de leste para oeste, os quais perdem parte de sua intensidade.
Marilene de Lima, meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina, destaca que o aquecimento das águas precisa se manter nos próximos meses para que seja possível avaliar a magnitude do El Niño e seus potenciais impactos no Brasil. Ela ressalta que ainda existem cerca de sete meses para confirmar se realmente se trata de um fenômeno El Niño.
Historicamente, o fenômeno tende a provocar um aumento nas chuvas no Sul do Brasil, com precipitações que podem ficar 20% a 30% acima da média esperada para essa época do ano, especialmente durante a primavera. Nos últimos anos, entre 2023 e 2024, o El Niño causou chuvas intensas na região Sul e seca no Norte do país.
A previsão para este ano indica que a região Sul continuará a receber chuvas acima da média, especialmente durante o inverno e na primavera, quando o fenômeno pode atingir seu pico. Marilene ressalta que, embora o El Niño esteja presente, ele não necessariamente se traduz em chuvas muito intensas, pois isso depende da interação com frentes frias e outros sistemas atmosféricos que transportam umidade para a região.
Fonte: D24AM