Embrapa Inicia Projeto para Revitalizar Cultivo do Pau-Rosa no Amazonas
Em reunião com empresários, Embrapa apresenta projeto que visa revitalizar o cultivo comercial do pau-rosa, essencial para a economia local.

No dia 4 de setembro, a Embrapa Amazônia Ocidental recebeu um grupo de empresários do setor primário, liderados pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas, Muni Lourenço Filho. O objetivo do encontro foi apresentar o projeto de Pesquisa & Desenvolvimento para a Produção Intensiva e Sustentável de Óleo de Pau-Rosa (Aniba rosaeodora), que é coordenado pelo pesquisador Edson Barcelos desde 2024.
A iniciativa busca superar os desafios enfrentados no cultivo comercial do pau-rosa, que é uma árvore nativa da Amazônia. Historicamente, essa espécie foi explorada de maneira predatória, sendo valorizada principalmente por seu óleo essencial rico em linalol, amplamente utilizado na indústria de perfumaria de luxo, incluindo o famoso Chanel Nº 5.
O pau-rosa possui propriedades terapêuticas, como ação anti-inflamatória, cicatrizante e calmante, o que o torna benéfico para o tratamento de feridas e cuidados com a pele. A produção dessa árvore, que já foi um dos pilares da economia amazonense durante o ciclo do Extrativismo, caiu drasticamente de 500 toneladas por ano na década de 1970 para apenas 1.480 quilos em 2021.
O projeto de Edson Barcelos foca na seleção de matrizes de alta qualidade e no desenvolvimento de protocolos de clonagem por estaquia. Com isso, busca-se garantir práticas agronômicas que reduzam as perdas no plantio e aumentem a uniformidade dos cultivos, estabelecendo uma coleção de trabalho com materiais genéticos variados para apoiar o melhoramento da espécie.
Atualmente, a pesquisa conta com uma população inicial de 80 árvores-matrizes, localizadas na propriedade da empresa parceira Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). Entre essas, as 10 que apresentam maior vigor e teor de óleo na biomassa são selecionadas para a produção de clones. Contudo, ainda existem desafios, como a escassez de sementes de qualidade e altas taxas de mortalidade em plantios diretos, que precisam ser endereçados para que o cultivo comercial do pau-rosa seja efetivamente revitalizado.
Fonte: Portal Amazônia