Entenda por que injeções para emagrecimento não funcionam para todos
Medicamentos como Ozempic e Wegovy têm mostrado eficácia na perda de peso, mas não são solução universal. Fatores genéticos e comportamentais influenciam os resultados.

Brasília - Os medicamentos que utilizam semaglutida, como Ozempic e Wegovy, têm revolucionado o tratamento da obesidade ao possibilitar uma perda média de até 15% do peso corporal. Esses fármacos atuam imitando o hormônio intestinal GLP-1, que regula o açúcar no sangue, retarda o esvaziamento do estômago e envia sinais ao cérebro para interromper a ingestão alimentar.
Apesar do sucesso considerável, a ciência alerta que esses medicamentos não funcionam para todos. Estima-se que entre 10% e 30% dos pacientes se enquadram na categoria de não respondentes, ou seja, aqueles que perdem menos de 5% do peso após seis meses utilizando a dose máxima do medicamento.
Vários fatores podem influenciar a eficácia do tratamento, incluindo questões biológicas, genéticas e comportamentais. A adesão do paciente ao tratamento é crucial, e estudos indicam que entre 20% e 60% dos usuários interrompem o uso no primeiro ano ou fazem uso de doses inferiores ao recomendado, o que pode comprometer os resultados.
A eficácia do tratamento também varia conforme o sexo. Uma ampla revisão que analisou 47 ensaios clínicos, envolvendo mais de 23 mil pacientes, mostrou que o perfil ideal para o sucesso do medicamento é predominantemente feminino, jovem e sem diagnóstico de diabetes. O estrogênio, por exemplo, pode contribuir para que mulheres percam mais peso que homens, pois melhora a sensibilidade à insulina e estimula a secreção de GLP-1.
A individualidade genética de cada paciente pode criar uma verdadeira resistência aos medicamentos. A obesidade é uma condição multifatorial, e se a causa do ganho de peso não for abordada pelo medicamento, os resultados poderão ser decepcionantes. Por isso, a medicina atualmente busca um caminho mais personalizado, integrando testes genéticos e análise do estilo de vida para determinar a medicação mais adequada para cada paciente.
Fonte: D24AM