Pesquisa revela falhas no conhecimento sobre leishmaniose no Acre
Estudo da Ufac identificou lacunas no entendimento da leishmaniose entre pacientes e profissionais de saúde em Sena Madureira. Barreiras geográficas dificultam o acesso ao tratamento.

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realizou um estudo em parceria com diversas instituições, que revelou importantes limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais de saúde. A pesquisa foi conduzida no município de Sena Madureira, onde foram entrevistados 50 pacientes com suspeita clínica da doença e 51 agentes de saúde, sendo 63% deles agentes comunitários e 37% agentes de combate às endemias.
Os resultados do estudo foram publicados em maio de 2023 na revista eletrônica “Acervo Saúde”, volume 26, número 5, sob o título Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas. O artigo destaca como as barreiras geográficas e estruturais dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce, especialmente em áreas rurais onde a doença é endêmica.
O autor do artigo, Leandro Siqueira de Souza, ressaltou a importância de compreender as limitações de conhecimento tanto dos profissionais de saúde quanto dos pacientes. “Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde”, afirmou ele, que desenvolveu este trabalho como parte de sua tese de doutorado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte do Brasil é responsável por mais da metade dos casos de leishmaniose no país, e o Acre registrou mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para a transmissão da doença.
O pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC, enfatizou que a região amazônica é endêmica para a leishmaniose cutânea, uma condição que afeta principalmente comunidades tradicionais. Ele destacou que compreender as lacunas de conhecimento é fundamental para o sistema de saúde do Acre e para um controle mais efetivo da doença. O projeto de pesquisa conta com a colaboração de instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade de Brasília, além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Fonte: Portal Amazônia