Entidades Científicas Alertam Sobre Interferências nas Eleições Brasileiras
A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência expressam preocupações sobre pressões externas nas eleições de 2022, incluindo ações dos EUA.

Em Brasília, a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência divulgaram uma nota pública em que manifestam suas preocupações a respeito de possíveis interferências e pressões externas no processo eleitoral brasileiro deste ano. Essas pressões podem ser de natureza política, econômica e até mesmo relacionadas à manipulação de informações.
As duas instituições científicas destacaram a pressão que vem sendo exercida pelos Estados Unidos e demonstraram apoio à iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que na semana passada recorreu à ONU para tratar desse assunto. O instituto enviou um ofício ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, no qual menciona o risco de interferência norte-americana, através de exigências de negociações comerciais e ataques a instituições brasileiras, como o Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos objetivos dessa estratégia, segundo as entidades, seria influenciar a escolha do voto popular e desacreditar a legitimidade das eleições, preparando o terreno para contestar os resultados das urnas. Essa preocupação não é nova; a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já elaborou um relatório abordando a escalada da pressão dos EUA nos últimos meses.
No documento, a Abin aponta que a hegemonia dos EUA na América Latina é uma prioridade do ex-presidente Donald Trump, que busca afastar rivais como a China da região. Este relatório foi enviado em agosto ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça, destacando a preocupação com a soberania nacional.
Em resposta a esses alertas, o Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao STF uma investigação sobre a possível interferência estrangeira nas eleições. O partido apresentou um pedido ao ministro Flávio Dino, no âmbito da ADPF 1.178, que estabelece que ações unilaterais de outros países não têm eficácia automática no Brasil. O pedido inclui a abertura de um inquérito pela Polícia Federal e a ampliação de uma medida liminar para combater qualquer interferência externa na disputa presidencial. Até o momento, o STF ainda não se manifestou sobre o pedido.
Fonte: D24AM