Estreia do documentário sobre Santa Etelvina acontece no cemitério São João Batista
O documentário 'Etelvina – A Ressignificação da Tragédia' estreia no dia 15 de setembro, em Manaus, no cemitério São João Batista, marcando os 125 anos do assassinato de Etelvina de Alencar.

Na próxima sexta-feira, dia 15 de setembro, o Cemitério São João Batista, em Manaus, será o palco da estreia do documentário 'Etelvina – A Ressignificação da Tragédia', que ocorrerá às 20h. Essa obra celebra os 125 anos do assassinato de Etelvina de Alencar, que foi morta em 1901 na antiga Colônia Campos Sales, atualmente o bairro que leva seu nome.
O filme explora a trajetória de Etelvina e a história de Manaus, mostrando como os fiéis visitam seu túmulo e transformaram sua morte violenta em um relato de fé, dando origem à figura de Santa Etelvina devido às graças atribuídas a ela. Esta é a primeira vez que uma exibição cinematográfica será realizada em um cemitério no Amazonas, uma escolha que busca respeitar e valorizar a memória da protagonista.
O diretor do documentário, Cleinaldo Marinho, explica que a intenção de realizar a estreia no cemitério não é transformar o local em um mero cenário, mas sim ampliar o diálogo sobre a memória e a cultura. Segundo Marinho, o cemitério é um espaço que ressignifica a dor, transformando luto em escuta e o silêncio em voz. Ele afirma: “A arte e a cultura têm o poder de transformar um espaço de luto em um espaço de escuta”.
O Cemitério São João Batista, inaugurado em 1890, é reconhecido como Patrimônio Histórico do Estado do Amazonas, devido à sua importância arquitetônica e cultural, incluindo construções góticas e sepulturas com valor histórico. O local possui um acervo documental que data desde 1882, preservando a memória das vidas que ali repousam.
Marinho tem se dedicado a trazer à tona histórias de mulheres esquecidas na história do Amazonas, evidenciando temas como o feminicídio, que, embora tenha um termo recente, tem raízes profundas. Ele afirma que “essa violência é histórica e ainda persiste”. A atriz Rosana Neves também retorna ao projeto como protagonista, refletindo sobre a força da personagem e sua relevância na construção de novas narrativas. O documentário, que é um projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo, é um convite à reflexão sobre como transformamos dor em significado.
Fonte: D24AM