Estudantes do Amazonas Criam Filtros Ecológicos com Resíduos Locais
Um projeto em Manaus utiliza caroço de açaí e casca de tucumã para desenvolver filtros ecológicos, visando melhorar o acesso à água potável em comunidades ribeirinhas.

Em Manaus, estudantes e pesquisadores do Amazonas estão buscando soluções sustentáveis para melhorar o acesso à água potável em áreas rurais do Estado. Um projeto científico inovador utiliza resíduos da flora local, como o caroço de açaí e a casca de tucumã, para criar filtros ecológicos de baixo custo, voltados para as comunidades ribeirinhas.
Nomeado como “Purificação Nativa: O uso de materiais ecológicos para tratamento de água na Amazônia”, o projeto é desenvolvido por alunos do Colégio Martha Falcão. A pesquisa investiga o potencial de insumos locais na melhoria dos recursos hídricos, promovendo um aprendizado prático e contextualizado, que se aproxima da realidade social da região.
A motivação para o projeto surgiu devido aos impactos diretos das recentes estiagens extremas que afetaram a região amazônica. A professora de Física Magna Bezerra, responsável pela pesquisa, vivenciou as dificuldades enfrentadas por seus familiares nas comunidades do interior e decidiu transformar essa realidade em um objeto de estudo prático para seus alunos. As amostras de água utilizadas nos experimentos foram fornecidas pela família da professora, residente na comunidade do Airão.
Os alunos do ensino médio, sob a orientação de Magna Bezerra, estão realizando experimentos laboratoriais para analisar a qualidade da água, focando em parâmetros como pH e turbidez. O projeto, que faz parte das atividades do Clube do Futuro Cientista, completou 40 anos promovendo a pesquisa prática e o protagonismo estudantil. A estrutura dos filtros passou por três reconstruções, aprimorando as etapas de filtragem e a adaptação das proporções dos resíduos orgânicos utilizados.
O projeto não apenas enfatiza a importância da educação ambiental, mas também prepara os alunos para um futuro comprometido com a sustentabilidade. A aluna Letícia Meyrelles, que se destacou na Feira Científico-Cultural da escola, comentou sobre a transformação que a experiência trouxe para o grupo. “Amo a Amazônia e sei que temos recursos naturais que podem ser usados com responsabilidade”, afirmou. Na próxima fase, a equipe planeja realizar análises microbiológicas detalhadas, com o objetivo de consolidar uma tecnologia social acessível para comunidades isoladas. O trabalho será apresentado em Brasília durante o X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, de 23 a 28 de novembro, reunindo experiências de todo o país focadas em sustentabilidade e mudanças climáticas.
Fonte: D24AM