Estudo destaca a necessidade de aprimorar a rastreabilidade da soja e carne no Brasil
Pesquisadores apontam que, apesar do avanço na monitorização, o Brasil deve integrar melhor suas iniciativas de rastreabilidade da soja e carne bovina.

Um estudo divulgado nesta terça-feira (28) pela organização WRI Brasil revelou que o Brasil possui um potencial significativo para monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina. No entanto, os pesquisadores enfatizam que é necessário avançar na integração das ferramentas disponíveis para essa tarefa.
A pesquisa, intitulada Rastreando a Responsabilidade, analisou 21 iniciativas de monitoramento e rastreabilidade socioambiental, sendo dez voltadas para a soja e 11 para a carne bovina. Esses instrumentos visam apoiar a verificação dos processos de produção nos biomas Amazônia e Cerrado, regiões cruciais para a agropecuária nacional.
Após a análise das iniciativas, os especialistas propuseram dez recomendações para aprimorar os mecanismos de controle e guiar a formulação de políticas públicas. A diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra no WRI Brasil, Mariana Oliveira, acredita que a evolução na rastreabilidade pode contribuir para um desenvolvimento territorial mais sustentável no setor agrícola.
Os pesquisadores também ressaltam a importância de integrar diferentes atores que participam da rastreabilidade das cadeias produtivas, promovendo compromissos e responsabilidades compartilhadas. Mariana Oliveira destaca que algumas instituições financeiras brasileiras já realizam checagens utilizando bases de dados oficiais e não oficiais, e que essa prática pode ser expandida para incluir atores globais como bancos de desenvolvimento.
O estudo menciona a China como um exemplo de mercado que pode se beneficiar de protocolos de rastreabilidade, já que importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em soja e carne bovina em 2024. Com a harmonização dos critérios técnicos e a integração das bases de dados, países compradores teriam mais clareza na avaliação de riscos socioambientais, tornando a cooperação com grandes mercados, como o da China, ainda mais vital.
Fonte: D24AM