Estudo revela aumento de 163% na fragmentação da vegetação nativa no Brasil
Entre 1988 e 2024, a vegetação nativa no Brasil sofreu uma fragmentação alarmante, crescendo 163% em 38 anos, conforme dados do MapBiomas.

Um estudo recente do MapBiomas revelou que, entre 1988 e 2024, pelo menos 7% da cobertura florestal na Amazônia Legal, equivalente a 24,9 milhões de hectares, apresentou sinais de distúrbio de dossel por pelo menos um mês. Essa análise é a primeira a quantificar a quantidade de fragmentos de vegetação nativa no Brasil, que aumentaram de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023, representando um crescimento de 163% ao longo de 38 anos.
A fragmentação da vegetação nativa é um processo em que áreas contínuas de floresta são divididas em porções menores e mais isoladas, principalmente devido ao desmatamento para a expansão agropecuária, urbanização e abertura de estradas. De acordo com Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas, “quanto menor for o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa, maior será a suscetibilidade à degradação”.
A análise também revelou uma queda significativa no tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa. Em 1986, a média era de 241 hectares, enquanto em 2023 caiu para 77 hectares, uma redução de 68%. Destaca-se que até 5% da vegetação nativa do Brasil está em pequenos fragmentos, com menos de 250 hectares, sendo a Mata Atlântica a mais afetada, chegando a 28% de sua vegetação remanescente.
Além disso, o estudo apontou que todos os biomas brasileiros apresentaram um aumento no número de fragmentos nas últimas quatro décadas. O Pantanal e a Amazônia foram as regiões com os maiores aumentos de fragmentação, com 350% e 332%, respectivamente. A Amazônia, em particular, viu o tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa cair de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, uma redução de 82%.
O Módulo de Degradação do MapBiomas é uma ferramenta vital que permite monitorar e apoiar decisões sobre conservação e restauração da biodiversidade no Brasil. O Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, conforme acordos internacionais. A degradação da vegetação nativa, diferente do desmatamento, refere-se a áreas que permanecem vegetadas, mas que estão sob estresse ambiental, o que compromete sua saúde e diversidade.
Fonte: Portal Amazônia