Estudo sugere proteção legal em torno de terras indígenas para frear desmatamento
Um novo estudo sugere que a criação de zonas de amortecimento ao redor de terras indígenas pode ser crucial para combater o desmatamento na Amazônia.

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Sustainability nesta terça-feira (28) propõe a extensão da proteção legal para as áreas ao redor das terras indígenas como uma estratégia eficaz para combater o desmatamento e as atividades ilegais na Amazônia.
O estudo, que utilizou a Terra Indígena Vale do Javari, localizada no oeste do Amazonas, demonstrou uma diferença significativa entre a conservação da floresta dentro do território demarcado e a degradação observada nas áreas circunvizinhas. Em 2022, o desmatamento em uma faixa de até 200 quilômetros ao redor da terra indígena foi 187,5 vezes maior do que o registrado dentro da área protegida.
Apesar da redução dos índices de desmatamento em 2023 e 2024, os pesquisadores alertam que os níveis ainda são superiores aos das décadas anteriores. Isso indica que as pressões ambientais e fundiárias continuam intensas nas regiões próximas às terras indígenas, criando um ambiente de risco constante.
A principal recomendação do estudo é a adoção do modelo de zonas de amortecimento, já utilizado em unidades de conservação, como parques nacionais. Essas zonas impõem restrições ao uso do solo e às atividades econômicas nas proximidades, minimizando os impactos externos nos ecossistemas protegidos.
O artigo, intitulado Spiraling frontier threats in Indigenous Amazonia, foi desenvolvido por pesquisadores de várias instituições, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Universidade Federal do Amapá (Unifap) também colaborou com os professores Alan Cavalcanti da Cunha e Helenilza Ferreira Albuquerque Cunha como coautores.
Fonte: Portal Amazônia